Ghosn processa Renault e exige pagamentos milionários

O ex-líder do grupo Nissan e da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, Carlos Ghosn, avançou com uma acção contra a fabricante de automóveis francesa, alegando que a carta de renúncia ao cargo, assinada em Janeiro de 2019, quando ainda estava na prisão, não tem validade. O ex-magnata do sector automóvel reclama ainda pagamentos no valor de 250 mil euros, avança o “Le Figaro”.

Em declarações ao jornal francês, Ghosn revelou que levou o caso a tribunal em Dezembro, antes da sua fuga do Japão, exigindo 770 mil euros anuais e outros 15,5 milhões em prémios que lhe teriam sido pagos caso continuasse na Renault.

O ex-gestor admite que a renúncia ao cargo foi «uma farsa». Também os seus advogados dizem que as autoridades japonesas forçaram Ghosn a assinar o documento.

Contactada, a Renault recusou-se a comentar.

Recorde-se que Ghosn, de 65 anos, ia ser julgado este ano, estando acusado dos crimes de desvio de dinheiro, fraude fiscal e gestão danosa, mas fugiu para o Líbano para livrar-se da «injustiça e perseguição política» de que diz ser vítima. De acordo com a imprensa japonesa, Ghosn apanhou, no passado dia 29 de Dezembro, um comboio entre Tóquio e Osaka, de onde embarcou num avião particular com destino a Istambul, Turquia. No dia seguinte, rumou a Beirute, no Líbano, num outro avião.

O ex-magnata do sector automóvel foi preso pela primeira vez em Novembro de 2018. De acordo com a acusação, não reportou cerca de 82 milhões de dólares (73 milhões de euros) em salários e transferiu perdas financeiras pessoais para a Nissan.

Foi libertado a 6 de Março do ano passado, após pagar uma fiança. No entanto, no mês seguinte, foi novamente preso. Ainda em Abril, voltou a sair da prisão mediante o pagamento de nova caução, ficando em prisão domiciliária, impedido de sair do Japão e de contactar a mulher, Carole Ghosn.

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