O aumento dos preços dos combustíveis poderá refletir-se nos preços dos produtos vendidos nos supermercados num prazo máximo de dois meses. O alerta surge num contexto de tensões geopolíticas no Médio Oriente, que voltam a colocar pressão sobre os mercados energéticos e a reacender o debate sobre a dependência do gasóleo no setor da distribuição.
De acordo com o ‘Jornal de Negócios’, o impacto já começa a sentir-se nas operações logísticas do retalho. O presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), Gonçalo Lobo Xavier, explica que o setor regista atualmente um aumento dos custos de transporte de mercadorias entre centros logísticos e lojas.
Custos logísticos já estão a aumentar
Segundo o responsável da associação, o efeito imediato da subida do gasóleo não difere daquele que os consumidores já sentiram quando abasteceram nos postos de combustível. O aumento do preço dos combustíveis traduz-se diretamente em maiores custos no transporte de bens e em outras despesas operacionais associadas à distribuição.
Para já, as empresas do setor estão a tentar absorver estes encargos adicionais, procurando evitar que os consumidores sintam imediatamente o impacto nas prateleiras.
Apesar desse esforço, Gonçalo Lobo Xavier sublinha que essa capacidade de absorção é limitada. No retalho alimentar, as margens de lucro situam-se geralmente entre 2% e 3%, o que torna difícil acomodar aumentos prolongados nos custos energéticos e logísticos.
Impacto pode chegar aos preços finais
Caso a subida dos combustíveis se mantenha por mais tempo, os custos tenderão a propagar-se ao longo de toda a cadeia de valor, desde o transporte até à distribuição final.
Segundo o responsável da APED, será difícil conter esses aumentos durante muito tempo. Se os preços elevados persistirem, os efeitos poderão refletir-se nos preços finais pagos pelos consumidores num período que poderá variar entre um e dois meses.
Eletrificação das frotas surge como alternativa
Face à volatilidade dos preços dos combustíveis, o setor da distribuição tem vindo a defender uma maior aposta na eletrificação das frotas de transporte. O objetivo é reduzir a dependência do gasóleo e tornar as cadeias de abastecimento menos vulneráveis às oscilações do mercado energético.
Gonçalo Lobo Xavier defende que o Governo deverá avançar com um pacote de incentivos e apoios que permita às empresas acelerar a transição para veículos elétricos.
Logística já aposta em veículos elétricos
Também no setor logístico esta mudança já está em curso. A DHL Express refere que a eletrificação da frota tem permitido reduzir parte da exposição às flutuações do preço do gasóleo.
Segundo Teresa Manso, diretora de Comunicação da empresa em Portugal, cerca de metade das viaturas de distribuição da DHL Express no país já são elétricas. A empresa prevê que essa proporção aumente para cerca de 80% nos próximos meses.
Apesar dessa evolução, a dependência de veículos com motores de combustão continua a existir em várias operações logísticas, o que significa que as oscilações no preço dos combustíveis continuam a ter impacto significativo no setor.




