A Amazon pediu às empresas concessionárias responsáveis pelas entregas que nos anúncios de emprego e nas circulares internas avisem que nenhum dos seus colaboradores vai ser testado à canábis. Esta medida da empresa surge num altura em que a gigante das entregas começa a sentir escassez de recursos humanos.
Questionada pela agência Bloomberg sobre o porquê desta medida, a Amazon foi clara: “esperamos que com a suspensão deste teste, as respostas aos anúncios de emprego para motoristas aumentem até 400%, nos próximos tempos”. A empresa fundada por Jeff Bezos esclarece ainda que nos últimos tempos, que o número de candidatos a passar nas triagens caiu 30%, nos últimos meses.
Quem não está contente com esta medida são alguns parceiros da Amazon. Numa entrevista anónima à agência norte-americana, o gestor de uma das empresas aliadas da gigante das entregas defendeu: “Se um dos motoristas atropelar e matar alguém a culpa é nossa, não da Amazon, não percebo esta medida”.
“O consumo de canábis é a maior causa, para que os candidatos fiquem para trás nos processos de recrutamento”, esclareceu outro parceiro da companhia fundada por Jeff Bezos.
Confrontada com esta última afirmação, a Amazon explicou à Bloomberg que eliminar candidatos pela utilização de canábis, para além de ter reduzido o número de pessoas que passam nos testes, “acaba também por prejudicar as pessoas negras que estatisticamente são as mais excluídas da triagem, quando são realizados estes testes”.
“Claro que se um motorista prejudicar testar positivo após o acidente ou suspeita razoável, ou prejudicar o seu trabalho ou os que o rodeiam com o consumo, é imediatamente suspenso de funções”, ressalva a Amazon.
Amazon sente na pele a escassez de mão-de-obra
Amazon entrou numa nova onda de contratações com o objetivo de encontrar mais 75 mil funcionários para os segmentos de atendimento e transporte, revelou a gigante do e-commerce num comunicado enviado às redações.
Desde o início da pandemia, a Amazon já recrutou cerca de 400 mil trabalhadores devido ao aumento da procura. Atualmente, a empresa conta já com mais de um milhão de colaboradores.
Atualmente, a Amazon é a segunda maior entidade empregadora dos EUA, precedida pela Walmart, que conta mais de 2 milhões de funcionários.
O problema são os testes ou as condições de trabalho?
Nos últimos tempos, os trabalhadores da empresa de Jeff Bezos têm reclamado da falta de condições, através de exemplos alarmantes como a obrigatoriedade de ficar em pé durante várias horas ao mesmo tempo que embalam caixas a um ritmo alucinante.
Os próprios motoristas da Amazon alegam que são obrigados a urinar em garrafas de plástico de forma a cumprirem os prazos das entregas.
Em abril, a Comissão de Trabalhadores da Amazon foi derrotada pelo coletivo de funcionários da empresa, que não permitiram a filiação da primeira num dos principais sindicados do comércio por atacado dos EUA, numa votação que contou com 1.798 votos contra e 738 a favor.




