FMI alerta Governos: “preparem-se para o impensável” com nova crise global

Diretora-geral da instituição, Kristalina Georgieva, deixou o aviso durante uma conferência em Tóquio

Francisco Laranjeira
Março 9, 2026
12:03

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou os Governos para se prepararem para cenários extremos face à nova crise económica global desencadeada pelo conflito no Médio Oriente. A diretora-geral da instituição, Kristalina Georgieva, deixou o aviso durante uma conferência em Tóquio, defendendo que os decisores políticos devem antecipar riscos inesperados num contexto internacional cada vez mais instável, avança o ‘El Economista’.

Georgieva aconselhou os Governos a “pensar no impensável e preparar-se para ele”, sublinhando que a nova conjuntura geopolítica exige respostas rápidas e capacidade de adaptação por parte das economias. A responsável indicou que o FMI está atualmente a recolher dados sobre o impacto económico do conflito no Médio Oriente, cujas conclusões serão apresentadas no relatório Perspetivas da Economia Mundial, previsto para meados de abril.



Petróleo pode pressionar inflação e travar crescimento

De acordo com a análise citada pelo ‘El Economista’, o aumento dos preços da energia poderá ter efeitos significativos na economia mundial. O FMI estima que cada subida de 10% no preço do petróleo, caso se mantenha durante grande parte do ano, possa provocar um aumento de cerca de 0,40 pontos percentuais na inflação global.

Ao mesmo tempo, essa escalada energética poderá reduzir o crescimento do produto interno bruto mundial entre 0,1% e 0,2%, refletindo o impacto da energia mais cara sobre o consumo, a produção e o comércio internacional.

FMI pede políticas económicas sólidas e maior agilidade

Perante este cenário de incerteza, Kristalina Georgieva apelou aos governos para se concentrarem naquilo que conseguem controlar. Segundo o ‘El Economista’, a responsável recomendou o reforço de instituições sólidas, políticas económicas credíveis e estratégias que promovam o crescimento impulsionado pelo setor privado.

A líder do FMI defendeu ainda que os países devem utilizar a margem de manobra das políticas públicas quando necessário, garantindo ao mesmo tempo que essa capacidade seja posteriormente reconstruída.

Acima de tudo, Georgieva destacou a importância da agilidade na resposta económica, num momento em que os choques geopolíticos e energéticos podem alterar rapidamente as perspetivas para a economia global.

O FMI deverá apresentar uma avaliação mais detalhada da situação económica internacional no seu próximo relatório macroeconómico, previsto para abril, onde serão analisados os efeitos concretos da crise no Médio Oriente sobre os países membros da instituição.

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