Família de Marielle Franco aliviada e de “cabeça erguida” com condenação

A família de Marielle Franco, assassinada em 2028, disse hoje estar aliviada e de “cabeça erguida” com condenação dos culpados pela morte da ex-vereadora brasileira.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 25, 2026
22:53

A família de Marielle Franco, assassinada em 2028, disse hoje estar aliviada e de “cabeça erguida” com condenação dos culpados pela morte da ex-vereadora brasileira.


“É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida”, declarou Marinete Silva, mãe de Marielle, citada pela Agência Brasil.


Nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial do Brasil e irmã de Marielle, Anielle Franco frisou que “hoje o sistema de justiça do Brasil honrou a memória de Marielle e Anderson”.


“O Brasil inicia um novo marco histórico contra a violência política de género e raça. A impunidade não pode fazer parte da nossa democracia”, acrescentou.


Também citada pela Agência Brasil, Fernanda Chaves, assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque em 2018 considerou que “o Estado brasileiro passa o recado de que crimes como esse, o feminicídio político não é tolerável”


“O Brasil responde ao mundo uma pergunta que a gente passou se fazendo por oito anos, quase uma década. É muito tempo”, sublinhou.


O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil condenou hoje os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e três meses de prisão por terem planeado e ordenado a morte da ex-vereadora carioca Marielle Franco em 2018.


Os dois terão ainda de pagar uma indemnização de sete milhões de reais (1,16 milhões de euros) de reparação de danos a familiares das vítimas.


Marielle Franco, defensora dos direitos dos moradores de bairros pobres, incluindo jovens negros, mulheres e membros da comunidade LGBTIA+, nascida numa favela e militante do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi baleada na noite de 14 de março de 2018 após participar num evento no centro do Rio de Janeiro. O motorista, Anderson Gomes, também foi assassinado. Com eles seguia Fernanda Chaves, assessora de Marielle Franco e única sobrevivente do ataque. 


Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão foram condenados por unanimidade pelos quatro juízes que compõem o coletivo do STF por duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada.


Ronald Paulo Alves Pereira recebeu uma pena de 56 anos de prisão por duplo homicídio e homicídio tentado.


No julgamento, que hoje terminou, foi também condenado a 18 anos de prisão Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, por obstrução à justiça e corrupção passiva.


Por fim, o polícia militar e ex-assessor de Domingos Brazão, Robson Calixto Fonseca, foi condenado por organização criminosa, recebendo uma pena de prisão de nove anos.


Segundo a acusação do Ministério Público, os irmãos Brazão faziam parte de uma “organização criminosa” orientada para negócios imobiliários irregulares em zonas dominadas por milícias, grupos paramilitares formados por agentes e ex-agentes corruptos.


O Ministério Público afirma que os irmãos ordenaram o assassínio para pôr fim à atividade política de Marielle Franco, que teria dificultado a aprovação de leis destinadas à regularização do uso e ocupação dessas áreas controladas pelas milícias.


Ao plano juntou-se Rivaldo Barbosa, que se valeu da sua posição de comando na Polícia Civil do Rio de Janeiro para obstruir as investigações e garantir a impunidade dos autores intelectuais.


Por sua vez, o agente Ronald Paulo Alves, conhecido como “Major Ronald”, vigiou as atividades da ativista e forneceu aos executores as informações necessárias para consumar o crime, segundo a acusação.


 

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