Uma ocorrência insólita durante um voo comercial nos Estados Unidos — em que um passageiro ficou preso numa casa de banho devido a uma avaria na fechadura — poderá traduzir-se num custo de até 3,4 milhões de dólares (cerca de 3,17 milhões de euros) para a Boeing. A Administração Federal de Aviação (FAA) propôs uma diretiva de aeronavegabilidade que poderá obrigar à substituição de milhares de fechaduras defeituosas em portas de casas de banho de aviões Boeing 737.
A proposta da FAA surge na sequência de um incidente em que um passageiro ficou retido numa casa de banho durante um voo, depois da porta com sistema de abertura tipo “bifold” (dobrável) ter deixado de funcionar devido a uma avaria na fechadura. Nem os assistentes de bordo conseguiram abrir a porta, o que forçou os pilotos a realizar uma aterragem não programada, revelou a agência norte-americana na passada sexta-feira, 12 de abril.
Segundo a FAA, um incidente deste tipo pode colocar o passageiro em risco de “lesões graves” em situações de emergência potencialmente sobrevivíveis, como turbulência severa ou uma emergência médica.
A proposta da FAA prevê a emissão de uma diretiva de aeronavegabilidade para 2.612 aviões Boeing 737 registados nos Estados Unidos. Estão incluídos os modelos 737-700, 737-800, 737-900, 737-900ER, 737 Max 8 e 737 Max 9 — versões amplamente utilizadas por companhias aéreas em todo o mundo.
De acordo com o site da própria Boeing, já foram entregues 3.461 unidades destes modelos a operadores norte-americanos. Com base na estimativa da FAA, até três quartos dessas aeronaves poderão estar equipadas com as fechaduras problemáticas, que incluem quatro referências específicas de peças que devem ser substituídas.
Substituição pode atingir milhões — mas poderá estar coberta por garantia
A FAA calcula que a substituição das fechaduras poderá custar às companhias aéreas e outros operadores até 3,4 milhões de dólares, incluindo mão de obra e o preço das novas peças — que pode ascender a 481 dólares por unidade. A agência adianta ainda que parte ou a totalidade desses custos poderá ser coberta ao abrigo das garantias dos fabricantes.
O regulador norte-americano deu até 27 de maio para que os operadores e outros interessados apresentem comentários ou contributos sobre a diretiva proposta. Só depois disso a FAA poderá avançar para a obrigatoriedade da substituição.
Apesar de a FAA não ter divulgado detalhes adicionais sobre o voo que motivou o alerta, este não é um caso isolado de problemas com casas de banho a bordo de aviões.
Em março deste ano, um voo da Air India entre Chicago e Nova Deli teve de regressar ao ponto de partida após nove horas no ar. O motivo? A maioria das casas de banho deixou de funcionar depois de um passageiro tentar descarregar sacos, panos e peças de roupa na sanita, bloqueando o sistema.
Em fevereiro, um voo da KLM entre Amesterdão e Los Angeles também teve de inverter a rota sobre o Atlântico depois de oito das nove casas de banho a bordo ficarem fora de serviço.
Estes episódios, embora incomuns, sublinham a importância dos sistemas de funcionamento das casas de banho a bordo — não só para o conforto dos passageiros, mas também para a segurança dos voos.
Com esta nova proposta de diretiva, a FAA pretende garantir que situações como a do passageiro preso não voltem a comprometer a segurança operacional dos aviões nem a experiência dos passageiros.














