A NATO lançou esta semana a Operação Sentinela Ártica, uma iniciativa destinada a reforçar a presença e coordenação militar da Aliança no extremo norte. A decisão surge na sequência de um entendimento entre o presidente americano Donald Trump e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alcançado em janeiro, em Davos, noticiou o site espanhol ’20 Minutos’.
O que é a Operação Sentinela Ártica?
Apesar do nome, não se trata de uma operação militar clássica com destacamento permanente de tropas sob bandeira da NATO. Segundo a própria Aliança, é antes um enquadramento estratégico que integra e coordena exercícios nacionais já existentes na região, como o Arctic Endurance, da Dinamarca, e o Cold Response, da Noruega.
A principal novidade está na unificação dessas atividades sob um único comando operacional, algo que, de acordo com Mark Rutte, acontece pela primeira vez no Ártico.
Porque avança agora a NATO?
O derretimento do gelo polar, acelerado pelas alterações climáticas, está a tornar o Ártico mais acessível, abrindo rotas marítimas e novas oportunidades económicas. Este cenário tem aumentado as preocupações com a presença e atividade da Rússia e da China na região.
O Comandante Supremo Aliado na Europa, o general americano Alexus G. Grynkewich, alertou para a necessidade de proteger o Ártico da atividade militar russa e do crescente interesse económico chinês. Mark Rutte afirmou que há sinais claros de intensificação de atividades por parte de Moscovo e Pequim, defendendo vigilância acrescida.
O Reino Unido partilha dessa avaliação. O secretário da Defesa britânico, John Healey, considerou que a Rússia representa a maior ameaça à segurança do Ártico desde a Guerra Fria.
Quem participa?
A operação será coordenada a partir do quartel-general conjunto da NATO em Norfolk, nos Estados Unidos, em articulação com o Comando de Operações Aliadas e estruturas como o NORAD.
A Dinamarca terá um contributo “substancial”, segundo o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, num contexto em que Copenhaga reforçou a sua presença militar na Gronelândia. França e Alemanha também anunciaram participação, embora sem especificar números.
O Reino Unido prevê duplicar o número de militares destacados na Noruega para 2.000 nos próximos três anos e enviará 1.500 Royal Marines para o exercício Cold Response, que em 2026 deverá reunir cerca de 25.000 soldados de 14 países, incluindo França, Alemanha, Suécia, Noruega e Finlândia.
O que muda na prática?
A Sentinela Ártica integra todas as atividades aliadas no extremo norte numa abordagem operacional abrangente. A NATO descreve-a como uma “atividade de vigilância reforçada”, semelhante às missões Sentinela do Báltico e Sentinela do Leste.
No futuro, esta estrutura servirá para coordenar exercícios, reforçar a presença aliada e melhorar a interoperabilidade em condições extremas. A meta é garantir que o Ártico permaneça seguro numa fase em que a competição estratégica se intensifica.
Com a criação da Operação Sentinela Ártica, a NATO sinaliza que o extremo norte deixou de ser uma periferia estratégica para passar a ocupar um lugar central nas dinâmicas de segurança global.














