Uma visita recente de elementos do exército japonês a uma base militar nos Estados Unidos sugeriu a possível implantação de um novo sistema de mísseis americano perto da China e da Rússia: de acordo com a revista ‘Newsweek’, uma foto da delegação da Força de Autodefesa Terrestre do Japão à Base Conjunta Lewis-McChord, no estado de Washington, mostrou o mais recente sistema de mísseis de capacidade média do exército americano, também conhecido como Typhon.
Os EUA montaram a sua segunda bateria Typhon na base da Costa Oeste em janeiro último como parte de uma atualização contínua dos fogos de precisão de longo alcance em resposta aos desafios impostos pelas unidades de mísseis balísticos russos e chineses.
O Typhon dispara dois tipos de munições anti-superfície e aéreas já utilizadas pela Marinha dos EUA: o míssil de cruzeiro Tomahawk e o Míssil Standard 6, com alcances de 1.600 e 460 km, respetivamente. Os militares americanos planeiam usar o Typhon para cobrir a lacuna entre o seu Míssil de Ataque de Precisão de curto alcance e sua Arma Hipersónica de Longo Alcance, ambos ainda em desenvolvimento – todos os três sistemas de mísseis terrestre formarão o Batalhão de Fogo Estratégico da futura Task-Force Multidomínio do Exército.
A visita do exército japonês pareceu aumentar a perspetiva da implantação do Typhon no território de um dos aliados mais vitais do tratado de segurança dos EUA na região do Indo-Pacífico. O Japão abriga quase 55 mil tropas americanas, de acordo com as últimas estatísticas do Pentágono — mais do que qualquer outro local no mundo fora do território dos EUA.
Em abril último, durante uma visita à Coreia do Sul, outro antigo aliado dos EUA, o general Charles Flynn, comandante do Exército dos EUA no Pacífico, disse que os lançadores Typhon seriam enviados à região este ano, embora sem entrar em detalhes sobre o local ou cronograma.
Nem Washington nem Tóquio anunciaram quaisquer planos para hospedar lançadores Typhon no Japão. Se implantados em Okinawa, a ilha japonesa que hospeda dois terços de todas as forças dos EUA no país, os mísseis também poderiam atingir alvos na China central e na Península Coreana.
Os esforços para modernizar os disparos de precisão de longo alcance do exército remontam a 2019, quando os EUA se retiraram do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, um acordo bilateral de controlo de armas assinado com a Rússia que proibiu lançadores terrestres com alcances de entre 310 a 3.420 milhas (500 e 5.500 km).
Os lançadores Typhon no Japão afetariam o equilíbrio militar com a Rússia, sustentou Dmitry Stefanovich, investigador do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais em Moscovo. “A Rússia não tem opções de ataque de precisão de longo alcance baseadas em terra no Extremo Oriente”, salientou o especialista. “A situação é ainda mais dramática dado o caso das Ilhas Curilas e as rotas limitadas de passagem das bases da Frota Russa do Pacífico.”














