Os Estados Unidos vão reavaliar todos os vistos de residência permanente atribuídos a cidadãos de 19 países classificados como “preocupantes”, numa decisão ordenada pelo Presidente Donald Trump. A medida ocorre numa fase em que a administração intensifica o controlo migratório após o tiroteio que envolveu dois membros da Guarda Nacional em Washington.
A confirmação foi dada numa publicação de Joe Edlow, diretor dos Serviços de Cidadania e Imigração (USCIS), que escreveu na rede X que ordenou “um reexame rigoroso e em grande escala de todos os Green Cards de todos os estrangeiros de todos os países que suscitam preocupação”. A USCIS, solicitada pela CNN Internacional a identificar esses países, remeteu para uma proclamação presidencial de junho, que inclui Afeganistão, Birmânia, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irão, Líbia, Somália, Sudão, Iémen, Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turquemenistão e Venezuela.
Em comunicado divulgado na quinta-feira, a agência explicou que passará a avaliar “fatores negativos específicos do país”, incluindo a capacidade de cada Estado emitir “documentos de identidade seguros”. A decisão surge após o suspeito do ataque, Rahmanullah Lakanwal, de nacionalidade afegã, ter sido identificado pelas autoridades.
Processamento de pedidos de afegãos é suspenso
O Departamento de Segurança Interna (DHS), que tutela a USCIS, confirmou também que todos os processos de imigração relacionados com cidadãos afegãos ficam suspensos. “Com efeito imediato, o processamento de todos os pedidos de imigração relacionados com cidadãos afegãos é interrompido indefinidamente”, afirmou a secretária adjunta Tricia McLaughlin ao mesmo canal. Acrescentou ainda que a administração está a rever “todos os casos de asilo aprovados sob a administração Biden”.
Numa publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o seu governo pretende “pausar permanentemente a migração de todos os países do Terceiro Mundo para permitir que o sistema dos EUA se recupere totalmente”, embora não tenha especificado quais países incluía nessa definição.
Presidente quer limitar benefícios federais e deportar quem considere um risco
Trump intensificou ainda mais a retórica ao garantir que irá “acabar com todos os milhões de admissões ilegais de Biden” e remover “qualquer pessoa que não seja um ativo líquido para os Estados Unidos, ou que seja incapaz de amar o nosso país”. Acrescentou que pretende eliminar benefícios federais para “não cidadãos” e “desnaturalizar migrantes que prejudiquem a tranquilidade doméstica”, deportando quem considere um encargo público ou “não compatível com a civilização ocidental”.
Rahmanullah Lakanwal, anteriormente colaborador de entidades norte-americanas incluindo a CIA, chegou aos EUA em 2021 ao abrigo da operação “Aliados Bem-vindos”, lançada por Joe Biden para acolher afegãos que ajudaram Washington durante a missão militar no Afeganistão. Pediu asilo em 2024 e teve o pedido aprovado pela administração Trump em abril de 2025.
A Aliança das Comunidades Afegãs nos EUA condenou o tiroteio, mas alertou para o risco de o caso penal afetar injustamente outros cidadãos do Afeganistão. “O crime de um único indivíduo não deve prejudicar ou obstruir os casos legais de milhares de afegãos merecedores que cumprem todos os requisitos legais dos EUA”, afirmou a organização, apelando às agências federais para continuarem a processar os pedidos “sem atrasos ou suspensões”.
Mais de 190 mil afegãos reinstalados desde 2021
De acordo com o Departamento de Estado, mais de 190 mil afegãos foram reinstalados nos Estados Unidos desde a retirada militar norte-americana do Afeganistão, em agosto de 2021. Num discurso em vídeo divulgado a partir de Mar-a-Lago, na Florida, Trump culpou o anterior governo por ter permitido a entrada do suspeito e classificou o ataque como “a maior ameaça à segurança nacional que a nossa nação enfrenta”.
O Presidente acrescentou ainda que, durante a administração Biden, “20 milhões de estrangeiros desconhecidos e não controlados” teriam entrado no país, considerando esse número “um risco para a própria sobrevivência” dos EUA. A revisão dos vistos de residência segue assim a linha de endurecimento migratório adotada pelo governo.














