A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) agendou, para esta sexta-feira, uma greve dos trabalhadores do sector da saúde.
A paralisação, que abrange todos os profissionais do sector à exceção de médicos e enfermeiros, é a primeira desde o início da pandemia da Covid-19 e foi motivada por reivindicações antigas que continuam sem resposta.
À Multinews, Artur Sequeira, da FNSTFPS, disse esperar “uma grande adesão, ainda que existam sempre serviços mínimos, que vão assegurar o que está definido e foi negociado”.
“Contudo, é natural que haja situações em que os utentes se vejam privados de ter acesso a consultas, exames, ou tratamentos que tenham marcados, como acontece em todas as greves da saúde”, acrescenta.
Segundo o responsável, “há falta de pessoal em todas as áreas da saúde e é natural que a greve, que vai ser uma grande greve, tenha um efeito negativo para alguns utentes”, sendo por isso “possível” que alguns centros de saúde e outras unidades estejam encerradas.
“Como nós sabemos que vai haver uma grande adesão, porque o descontentamento é muito, logicamente todo esse cenário pode tornar-se realidade e o Governo tem que assumir como sua culpa e não como culpa dos trabalhadores, que apenas exercem o seu direito”, conclui.
Já na altura do anúncio desta greve, Elisabete Gonçalves, coordenadora do sindicato, tinha referido em conferência de imprensa que #existe uma vontade de aderir à luta porque, na verdade, são muitos anos à espera de concretização e de resolução dos seus problemas”, disse acrescentando que “depois de tantas palmadinhas (durante a pandemia), nada se resolve”.
Em concreto, a coordenadora da FNSTFPS fala em problemas que afetam auxiliares de ação médica, técnicos superiores de saúde e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, e que acentuam a instabilidade nos serviços de saúde e prejudicam o Serviço Nacional de Saúde.
“São situações que poderão parecer diversas e distantes, mas que no seu conjunto criam uma desmotivação aos trabalhadores da saúde, que em termos de retenção de trabalhadores na saúde em nada beneficia”, referiu.
Elisabete Gonçalves denunciou sobretudo problemas relacionados com a carreira desses profissionais, reivindicando a reposição da carreira de técnico auxiliar, e criticando também a alteração da carreira dos técnicos superiores de diagnóstico que “não traduz as especificidades destes trabalhadores”.
“Quanto aos técnicos superiores de saúde, há anos que lutam por procedimentos concursais de promoção que não estão a ser feitos, o que limita a valorização destes trabalhadores”, explicou a coordenadora.
A greve desta sexta-feira é dirigida a todos os trabalhadores de Portugal continental e da região autónoma dos Açores, sendo antecedida de uma paralisação a 30 de junho na região autónoma da Madeira, por ser feriado no dia seguinte.
(Com Lusa)






