Esquema com clonagem de cartões SIM: Hospedeira acedeu a 87 contas bancárias e desviou 188 mil euros

Uma mulher de 43 anos, licenciada em marketing e publicidade e com experiência profissional como assistente de bordo, foi condenada a sete anos de prisão por ter acedido ilegalmente a 87 contas bancárias e desviado cerca de 188 mil euros ao longo de quatro anos.

Revista de Imprensa
Fevereiro 17, 2026
9:27

Uma mulher de 43 anos, licenciada em marketing e publicidade e com experiência profissional como assistente de bordo, foi condenada a sete anos de prisão por ter acedido ilegalmente a 87 contas bancárias e desviado cerca de 188 mil euros ao longo de quatro anos. Com um rendimento mensal que rondava os três mil euros, Alexandra B. viu a sua vida alterar-se drasticamente devido ao consumo de estupefacientes, que, segundo o processo, a conduziu a um esquema de burla informática que lesou dezenas de pessoas, incluindo duas operadoras de telecomunicações e quatro instituições bancárias.

De acordo com o Correio da Manhã, o Ministério Público acusou a arguida de ter utilizado dados pessoais obtidos indevidamente a partir de bases de dados informáticas de operadoras telefónicas e de entidades bancárias. Na posse dessas informações, acedia aos serviços de homebanking das vítimas e realizava transferências, pagamentos e compras, apropriando-se de quantias monetárias sem autorização. O total apurado pelas autoridades aponta para um lucro ilícito na ordem dos 188 mil euros.

O esquema, descrito no processo judicial, começava com a consulta de bases de dados de clientes de operadoras telefónicas. Através do Número de Identificação Fiscal (NIF), a arguida verificava, em fontes abertas, se as vítimas eram clientes de entidades como Wizink, Universo ou Unibanco. Posteriormente, fazia-se passar pela titular do cartão SIM ou por um familiar e solicitava uma segunda via do cartão junto da operadora. Com esse procedimento, conseguia criar um “clone” do número de telemóvel e, através da linha de apoio ao cliente ou das aplicações digitais das operadoras, alterava as palavras-passe de acesso ao homebanking. Ao controlar o cartão SIM, obtinha acesso rápido aos cartões de crédito associados e utilizava os fundos disponíveis.

Alexandra B. foi condenada em agosto do ano passado pelo Tribunal de São João Novo, no Porto, por dezenas de crimes, entre os quais burla qualificada, acesso ilegítimo, falsidade informática, dano relativo a programas ou dados informáticos, contrafação de cartão, violação de correspondência, recetação, falsificação de documento e branqueamento. A arguida recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça, defendendo que o tribunal deveria ter considerado o seu historial de consumo de droga como atenuante na determinação da pena. Contudo, a 29 de janeiro, o Supremo rejeitou o recurso por unanimidade, mantendo a condenação de sete anos de prisão.

No mesmo processo, dois ex-namorados da arguida foram condenados a penas suspensas. Já a irmã, o padrasto, a mãe e uma prima de Alexandra B. acabaram absolvidos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.