Onde estão os alienígenas? Obama exclui Área 51, mas cientistas apontam os melhores candidatos à vida extraterrestre

A procura por vida extraterrestre voltou ao centro do debate depois de o ex-Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter afirmado que os alienígenas são “reais”, embora não haja provas de que tenham visitado a Terra.

Executive Digest
Fevereiro 17, 2026
10:54

A procura por vida extraterrestre voltou ao centro do debate depois de o ex-Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter afirmado que os alienígenas são “reais”, embora não haja provas de que tenham visitado a Terra. Em entrevista a Brian Tyler Cohen, Obama rejeitou teorias associadas à Área 51, a base da Força Aérea norte-americana frequentemente ligada a conspirações, assegurando que “there’s no underground facility unless there’s this enormous conspiracy and they hid it from the president of the United States”. Numa publicação posterior no Instagram oficial, reforçou que, do ponto de vista estatístico, “the universe is so vast that the odds are good there’s life out there”, mas acrescentou que as distâncias entre sistemas solares tornam improvável qualquer visita à Terra, sublinhando que durante a sua presidência não viu “any evidence (…) that extraterrestrials have made contact with us. Really!”.

A posição de Obama está alinhada com um dos princípios centrais da astrobiologia moderna: num Universo com biliões de estrelas e inúmeros planetas situados em zonas habitáveis, a emergência de vida é estatisticamente plausível. O professor Mark Burchell, da Universidade de Kent, explica que existem “so many stars, so many have planets, so many planets are in the habitable zone where the solar heating is enough to permit liquid water on the surface, that something magic happens in a certain per cent of the time and life emerges”. É por isso que os astrónomos concentram esforços na identificação de mundos com água líquida, considerada um dos ingredientes essenciais para o desenvolvimento da vida.



Entre os exoplanetas mais promissores destaca-se TRAPPIST-1e, localizado a cerca de 40 anos-luz da Terra, no sistema da anã vermelha TRAPPIST-1. Este planeta, com cerca de 0,69 massas terrestres, orbita na chamada “zona Goldilocks”, onde a temperatura permite a existência de água líquida. Observações recentes com o James Webb Space Telescope indicam que poderá possuir uma atmosfera semelhante à terrestre, aumentando a probabilidade de manter água à superfície. Outro candidato é K2-18b, situado a 124 anos-luz, na constelação de Leão. Classificado como “mundo Hycean”, coberto por oceanos, revelou na sua atmosfera sinais químicos de sulfureto de dimetilo (DMS) e dissulfureto de dimetilo (DMDS), compostos que na Terra são produzidos por organismos microscópicos. O investigador Nikku Madhusudhan, do Instituto de Astronomia de Cambridge, afirmou que “a Hycean world with an ocean that is teeming with life is the scenario that best fits the data we have”, embora outros especialistas, como David Armstrong, da Universidade de Warwick, considerem que a evidência é ainda frágil e contestada.

Mais distantes, mas igualmente relevantes, são Kepler-62e e Kepler-62f, que orbitam a estrela anã Kepler-62, a cerca de 1.200 anos-luz. Ambos situam-se na zona habitável: Kepler-62f completa uma órbita em 267 dias e é cerca de 40% maior do que a Terra, enquanto Kepler-62e orbita em 122 dias e é aproximadamente 60% maior. Um documento da NASA, em 2015, classificou Kepler-62f como um dos “most promising planets discovered” para sustentar vida.

Contudo, a resposta à pergunta “onde estão os alienígenas?” pode estar mais perto do que se imagina. No nosso próprio Sistema Solar, luas geladas de Saturno surgem como candidatos sérios. Enceladus, com cerca de 500 quilómetros de diâmetro, expulsa jatos de água a partir do polo sul. A missão Cassini–Huygens recolheu amostras desses cristais de gelo em 2008, revelando moléculas complexas potencialmente envolvidas em reações químicas associadas à vida, levando investigadores a defender que a lua “ticks all the boxes” como candidata habitável. Já Titan poderá esconder túneis de gelo semiderretido sob a superfície, semelhantes a aquíferos no Ártico, com bolsas de água doce que podem atingir cerca de 20°C — temperatura considerada ideal para a proliferação de formas de vida simples. Segundo Baptiste Journaux, da Universidade de Washington, esta estrutura tem implicações diretas “for what type of life we might find, the availability of nutrients, energy and so on”, ao concentrar nutrientes em volumes reduzidos de água.

Entre exoplanetas distantes e oceanos subterrâneos em luas geladas, a ciência continua a explorar hipóteses concretas para a existência de vida fora da Terra. Embora não existam provas de contacto, como sublinhou Obama, a dimensão do Universo mantém aberta (e cientificamente plausível) a possibilidade de não estarmos sozinhos.

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