O saldo externo da economia portuguesa fixou-se em -0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2022. Os dados revelam uma melhoria do saldo quer em contabilidade nacional quer em contabilidade pública.
Os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto nacional de Estatística (INE) revelam que a economia portuguesa registou uma necessidade de financiamento de 0,4% do PIB no 1º trimestre de 2022, que compara com uma capacidade de financiamento de 0,7% no trimestre anterior.
“Tomando em consideração exclusivamente o 1º trimestre de cada ano, verificou-se uma melhoria do saldo quer em contabilidade nacional quer em contabilidade pública. Em contabilidade nacional, o saldo das administrações públicas passou de -6,0% do PIB no 1º trimestre de 2021 para -0,4% no mesmo período de 2022. O valor das injeções de capital e assunção de dívidas no 1º trimestre de 2022 foi integralmente destinado a entidades do setor das AP”, pode ler-se na nota do INE.
Paralelamente, a necessidade de financiamento do setor das AP diminuiu 1,3% no 1º trimestre, representando 1,5% do PIB, o que é o reflexo de um aumento da receita (2,5%) e de uma diminuição da despesa (-0,3%)”.
A evolução da despesa resultou, segundo o INE, do efeito conjugado da diminuição em 0,6% da despesa corrente, com o aumento de 2,5% da despesa de capital. “A variação da despesa corrente foi determinada pela diminuição dos encargos com juros (-3,2%) e dos subsídios pagos (-29,1%), refletindo essencialmente, no último caso, a forte redução dos apoios pagos às empresas no contexto da mitigação dos efeitos económicos da pandemia Covid-19”, explica o instituto de estatística.

O INE revela ainda que o Rendimento Nacional Bruto (RNB) e o Rendimento Disponível Bruto (RDB) aumentaram, respetivamente, 3,0% e 2,8%. O aumento do RDB da economia, “conjugado com o crescimento de 3,5% da despesa de consumo final (que engloba as despesas de consumo final das Famílias e das AP), determinou a diminuição de 0,5% da poupança bruta da economia para 18,0% do PIB (menos 0,6 p.p. que no trimestre anterior e mais 0,2 p.p. que no trimestre homólogo)”.

No início da semana, especialistas previam um excedente orçamental. “É esperado um pequeno excedente orçamental nos primeiros três meses do ano”, referiu Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, à agência ‘Lusa’, considerando que “a melhoria das contas públicas foi ditada, em boa parte, pela evolução mais favorável da pandemia”.
Na totalidade do ano de 2021, o défice das Administrações Públicas, em contabilidade nacional, caiu para 2,8% do PIB, abaixo da meta oficial do Governo, depois de ter disparado para 5,8% em 2020. Para este ano, o Governo prevê um défice orçamental de 1,9%.




