Soalheiro ou chuvoso? Saiba como vai estar o tempo em março

As mais recentes projeções meteorológicas para a Primavera de 2026 estão a gerar dúvidas entre especialistas e entusiastas do tempo, sobretudo no que diz respeito ao mês de Março.

Executive Digest
Fevereiro 20, 2026
11:18

As mais recentes projeções meteorológicas para a Primavera de 2026 estão a gerar dúvidas entre especialistas e entusiastas do tempo, sobretudo no que diz respeito ao mês de Março. Vários modelos numéricos, em particular o norte-americano CFSv2, continuam a indicar um cenário de precipitação muito abaixo da média, levantando a questão sobre a fiabilidade destas previsões a médio e longo prazo e sobre a real probabilidade de Portugal enfrentar um mês marcadamente seco.

No entanto, segundo uma análise publicada no portal especializado LusoMeteo, estas previsões devem ser interpretadas com cautela. O site sublinha que, apesar de alguns sinais atmosféricos favorecerem um Março seco, os modelos apresentam limitações conhecidas, sobretudo quando aplicados a horizontes temporais alargados, como é o caso das previsões sazonais.



Os meteorologistas explicam que os modelos são ferramentas essenciais, mas imperfeitas, afetadas por “viés” sistemáticos que tendem a amplificar erros quanto mais distante for o período analisado. Este factor ajuda a perceber porque razão, no último Inverno, mais de dois terços das previsões sazonais apontavam para um período seco, cenário que acabou por não se confirmar. Mesmo com melhorias na assimilação de dados, no uso de inteligência artificial e nas equações físicas, a incerteza mantém-se elevada.

De acordo com o resumo das projeções atuais, os modelos numéricos sugerem um Março entre seco e normal, com temperaturas dentro ou ligeiramente abaixo da média climatológica. Ainda assim, a análise da LusoMeteo diverge deste cenário e mantém uma previsão de maior instabilidade, apontando para um período potencialmente mais chuvoso do que o habitual, sobretudo entre a segunda e a terceira semanas do mês, fase em que são antecipadas possíveis “mexidas” na circulação atmosférica que poderão estar a ser mal representadas pelos modelos.

Para o restante período primaveril, os sinais estatísticos não sustentam a hipótese de uma estação muito seca. Pelo contrário, é considerada mais provável a ocorrência de fases instáveis e, por vezes, frescas, o que leva os especialistas a não alterarem a previsão anteriormente avançada. Em síntese, o conselho é claro: não confiar cegamente num cenário de seca extrema, mas também não o descartar por completo, devendo o acompanhamento da evolução atmosférica ser contínuo, especialmente após a primeira semana de Março.

Quanto às razões que poderiam justificar um Março seco, os especialistas apontam para o fortalecimento do vórtice polar sobre o Ártico no início do mês, com impacto direto na troposfera e na intensificação da corrente de jato em latitudes mais altas. Este padrão favorece um regime clássico de NAO positiva, associado a domínio anticiclónico e à redução da precipitação em Portugal, limitada a episódios ocasionais ligados a oscilações do jato polar mais a norte.

Ainda assim, o posicionamento e a evolução do vórtice polar são particularmente difíceis de prever. Após os primeiros sete dias de Março, a fiabilidade das projeções diminui de forma acentuada e, a partir das duas semanas, a incerteza torna-se tão elevada que a leitura direta dos modelos perde utilidade prática. Nessa fase, a experiência sugere dois cenários possíveis: ou um reforço do fluxo atlântico, trazendo novamente chuva e vento, ou a instalação de um bloqueio anticiclónico no Atlântico, com circulação meridional, temperaturas mais frias e menor precipitação.

Perante este quadro, a conclusão dos especialistas é prudente: os sinais de um Março muito seco existem, mas estão longe de ser definitivos. A elevada incerteza obriga a acompanhar de perto a evolução das previsões, mantendo em aberto a possibilidade de um mês mais chuvoso do que atualmente indicam os modelos dominantes.

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