O Departamento de Justiça dos Estados Unidos prepara-se para abrir um processo contra a Google (propriedade da Alphabet) já na próxima semana, dando assim início a um longo processo jurídico sobre se a empresa de publicidade e pesquisa online usa o seu poder de mercado de forma justa ou injusta, avança a ‘Reuters’.
As acusações contra a gigante tecnológica prendem-se com o seu mecanismo de pesquisa. A Google é acusada de tentar prejudicar as rivais, como a Bing da Microsoft, privando-os da escala e, portanto, dos dados sobre as preferências do utilizador, afastando assim os próprios utilizadores.
A Google também é acusada de usar a popular função de pesquisa para favorecer os seus produtos, como o YouTube, e também grandes anunciantes, como o eBay. Por exemplo, uma pesquisa recente por um vídeo “Saturday Night Live” resultou em várias escolhas do YouTube da Google antes da NBC, que faz o próprio programa. Empresas como a Yelp argumentam que são melhores do que a Google para ajudar os consumidores a encontrar certos serviços, mas que geralmente aparecem mal localizados o que resulta em menos cliques.
Outra alegação tem a ver com publicidade. Na publicidade, a Google domina os negócios interligados que ligam anunciantes a jornais, sites e outras empresas. Por isso é acusada de ser “opaca” ao revelar as suas receitas de transações, usando “pacotes” de produtos para prejudicar rivais menores e viciar leilões.
Suscita ainda particular interesse a questão da “publicidade de pesquisa”, ou seja, os anúncios que aparecem numa caixa de pesquisa se uma pessoa pesquisar um item de consumo, já que a Google controla a venda do espaço nessas buscas, bem como as ferramentas para realizar vendas desta natureza.
Com o seu sistema operacional para smartphones Android, a Google supostamente abusou de seu domínio, exigindo que os fabricantes de telemóveis pré-instalassem o Chrome e pesquisassem se queriam aceder à Play Store, entre outras etapas.
Mas perante todo este rol de acusações, a Google nega repetidamente qualquer irregularidade.
Em relação à pesquisa, a Google afirma que os utilizadores têm acesso a outras fontes de informação, como a rede Twitter para notícias e a Amazon para produtos, e acrescenta que o facto de as pessoas usarem o seu serviço para obter respostas rápidas, estimulou a empresa a desenvolver novas formas de organizar resultados.
Em termos de publicidade, argumenta que compete com uma grande variedade de empresas, incluindo gigantes como Oracle e Verizon. E argumenta que os preços da publicidade online diminuíram constantemente na última década.
Quanto ao Android, a Google aponta que os fabricantes de telemóveis que usam o seu sistema de smartphone não precisam incluir as suas aplicações e podem pré-instalar aplicações concorrentes.
O processo vai assim avançar com o Departamento de Justiça dos estados Unidos concentrado nas alegações relacionadas à pesquisa, mas também pode destacar as reclamações sobre publicidade nos dispositivos Android.
Segundo a ‘Reuters’, é do interesse da Google prolongar a luta jurídica, e especialistas em ‘antitrust’ dizem que levará pelo menos seis a nove meses para chegar até ao julgamento, com uma decisão apenas vários meses após o fim do julgamento. E que muito provavelmente dará ainda lugar a recurso.





