Vivemos uma era de disrupção digital, e muitos executivos estão a enfrentar um verdadeiro dilema. Compreendem que o negócio deve abraçar a inovação para permanecer competitivo, mas muitos consideram que os seus projectos de transformação através da tecnologia não conseguem oferecer o valor esperado. Como resultado, muitas empresas enfrentam uma “discrepância na materialização da inovação”, ou seja, a diferença entre o potencial valor de investimentos em tecnologia e o valor real percepcionado pelas empresas. Na Accenture, desenvolvemos alguns estudos para examinar esta discrepância, e o Future Systems sublinha a escala deste desafio para as organizações. Os resultados mostraram o que separa as empresas que são líderes na inovação das que ficam para trás e as principais alterações que os executivos devem fazer para passarem os seus negócios para a categoria de líderes.
AS LÍDERES TECNOLÓGICAS ULTRAPASSAM AS QUE FICAM PARA TRÁS NO CRESCIMENTO DE RECEITAS
Quando comparámos os níveis de adopção tecnológica dos negócios, a penetração tecnológica e a mudança organizacional, categorizámos as 10% de topo como líderes. Têm níveis de crescimento de receitas duas vezes maiores do que as que ficam para trás – as que ocupam os 25% de baixo em termos de adopção, penetração e mudança organizacional. A não ser que estas organizações mais atrasadas mudem de ritmo, podem acabar a perder 46% das suas possíveis receitas anuais até 2023.
O que torna uma empresa líder em inovação? Em grande parte, é uma questão de mentalidade. Estas empresas pensam em termos de sistemas e não em termos de tecnologias individuais. Cada uma está activamente a criar o seu trajecto estratégico para se tornar um “sistema futuro”, termo que usamos para descrever um paradigma tecnológico futuro que será definido por três características principais:
- Não têm fronteiras. Os sistemas futuros baseiam-se na cloud e conseguem tirar partido da quase falta de fronteiras entre o mundo digital (dados, infra-estruturas e aplicações) e o mundo físico (humanos e máquinas), ou até entre organizações concorrentes.
- São adaptáveis. Os sistemas futuros usam a automatização e as tecnologias de IA para aprenderem, melhorarem e ganharem escala por si próprias, eliminando assim a fricção que prejudica o crescimento do negócio e ajudando os colaboradores a tomarem decisões mais adequadas, mais depressa.
- São radicalmente humanos. Os sistemas futuros irão interagir de forma homogénea com as pessoas usando IA e interfaces naturais. Ao incutirem uma simplicidade elegante em todas as interacções humano-máquina, criam uma nova fronteira competitiva para a experiência do cliente e tornam os colaboradores mais eficientes e eficazes.
PENSAR COMO AS 10% DE TOPO
Em toda a administração, as líderes estão a ultrapassar as que ficam para trás na adopção de tecnologias de base. Contudo, como descobrimos, a adopção por si só não chega para desbloquear um valor optimizado. Portanto, o que faz com que estas organizações que lideram a inovação sejam tão bem-sucedidas? Identificámos cinco comportamentos essenciais que definem o estatuto de uma empresa como líder. Ao adoptarem estes comportamentos, as empresas que ficam para trás podem tomar medidas para alcançarem a concorrência e eliminarem as suas próprias discrepâncias na inovação.
- Os líderes adoptam tecnologias que fazem com que sejam rápidas e adaptáveis. Segundo a nossa pesquisa, 83% das líderes em inovação concordam que é importante dissociar os dados das infra-estruturas antigas, em comparação com apenas 37% das empresas que ficam para trás na inovação. A adopção de novas tecnologias essenciais que permitem a dissociação ultrapassa a das que ficam para trás por uma margem enorme: 97% versus 30%. Ao dissociarem os dados das infra-estruturas e ao usarem estruturas flexíveis como os micro-serviços, estas empresas de topo conseguem responder rapidamente à procura e aumentar facilmente a escala.
- As líderes fizeram do cloud computing a sua casa. Noventa e cinco por cento das líderes adoptaram sofisticados serviços na cloud, como a computação sem servidor, em comparação com as que ficam para trás. Isto é importante porque a cloud é a melhor forma de consumir outras tecnologias vitais como a Inteligência Artificial e a analítica.
- As líderes vêem os dados como um bem e um risco. Compreendem que os dados em tempo real são essenciais para a transformação do negócio – mas que dados desadequados não as levarão muito longe. Apenas 40% das empresas que ficam para trás asseguram a qualidade dos dados, em comparação com os 90% das líderes. E enquanto apenas 54% das empresas mais atrasadas continuam a enriquecer os seus dados, 90% das líderes estão a fazê-lo. Isso significa que as empresas de topo têm mais confiança nos seus dados e também trabalham sistematicamente para se assegurarem de que a sua confiança está ligada aos futuros investimentos em IA.
- As líderes gerem estrategicamente os seus investimentos em tecnologia para toda a empresa. Vêem com muito mais clareza os investimentos tecnológicos da empresa e têm mais probabilidade de monitorizarem factores como o ROI do que as que ficam para trás. As líderes procuram destruir obstáculos dentro das suas organizações e estabelecer centros de inovação que criem canais para uma maior transferência de inovação.
- As líderes procuram formas criativas de apoiar o talento. Compreendem que investir no talento é a melhor forma de fazer avançar os sistemas futuros. Sem uma requalificação extensiva em novas tecnologias, os colaboradores não serão capazes de trabalhar com os sistemas expansivos, flexíveis e centrados no ser humano necessários para o sucesso. As líderes estão a ultrapassar as que ficam para trás em termos de formação: usam aprendizagem experimental três vezes mais do que as que ficam para trás (73% versus 24%) e lançam duas vezes mais programas de estágio (79% versus 36%).
Diminuir a discrepância na materialização da inovação irá exigir uma mudança cultural significativa dentro dos negócios. As empresas que esperam para lidar com este desafio terão cada vez mais dificuldade em acompanhar o ritmo à medida que proliferam novas tecnologias e a velocidade do negócio acelera. A boa notícia é que todas as empresas podem imitar a mentalidade e os métodos das líderes para obterem os resultados que desejam dos seus investimentos em tecnologia.










