O mercado mudou, os nossos hábitos de trabalho mudaram, aplaudimos e incentivamos soluções e ferramentas de gestão que nos permitem ultrapassar as limitações impostas pela pandemia, mesmo enquanto ainda estamos em fase de aprendizagem do que é o novo normal.
Com a pandemia veio também um choque económico que forçou de forma transversal o reposicionamento dos setores de atividade e de organizações.
A situação mais frequente foi a de uma disrupção nos hábitos de consumo, conduzindo a alterações abruptas dos modelos de negócio, inclusivamente de tendências de procura e consumo. Neste sentido, foram inúmeras as organizações que não conseguiram adaptar-se, muitas porque não tinham saúde financeira para poder ultrapassar este período de enorme turbulência no mercado.
Mas as boas noticias, é que este tipo de reajustamento acontece sempre, sendo natural que os próximos meses e anos sejam de novas oportunidades de negócio, de consolidação e de reestruturações, passando também por fusões e aquisições por parte de organizações que tendo conseguido ultrapassar este período de crise, pretendem crescer ainda mais, reposicionando-se no mercado.
Os próximos meses e anos trarão muito conhecimento, bibliografia e casos de estudo sobre fusões e aquisições.
Mas não deixa também de ser interessante olhar para casos de estudo de quem passou por processos de fusão ou aquisição durante o período de pandemia. Foi o nosso próprio caso. Quando houve a decisão de abrir o capital a novos acionistas, e a aproximação ao novo acionista que pretendia alargar a presença no mercado de auditoria e consultoria, nenhuma das partes poderia ter antecipado o contexto de pandemia que iriamos viver.
As negociações foram feitas antes, mas concretizadas já em plena pandemia, porque a palavra tinha sido dada de parte a parte. O contexto era radicalmente diferente, os objetivos rigorosamente iguais, e o compromisso tinha sido assumido.
Em setembro de 2020 as equipas juntaram-se num espaço único, numa altura em que o escritório podia representar uma das poucas formas de materializar esta união. Poucas semanas depois o escritório deixou de ser um espaço de trabalho comum, e o teletrabalho instalou-se.
Da parte das equipas havia uma expectativa de mudança de parte a parte, quase uma promessa de valor da nova realidade. As equipas estavam motivadas e expectantes. Em simultâneo, havia uma grande preocupação de estabilidade no serviço ao cliente e proximidade, acautelando igualmente a segurança das equipas.
Uniformizar processos, partilhar informação, promover a integração das equipas, fazer emergir um novo ADN que nasce de duas realidades diferentes. Tudo isto à distância. Foi preciso ser mais criterioso no que era imperativo mudar, ao mesmo tempo que se tentou manter e garantir estabilidade. Foi um balanço diário.
Mais de um ano depois integrámos equipas, assegurámos o acompanhamento e transição de clientes, estabilizámos e definimos novos projetos, planeámos, recrutámos, criámos novas linhas de serviço, novas ofertas, sempre norteados pela qualidade de serviço ao cliente.
Descobrimos que somos muito mais flexíveis do que imaginávamos, que com alinhamento societário conseguimos consensos, que as equipas precisam de se sentir parte de uma cultura organizacional, e que o digital ajudou no compasso de espera até que algumas decisões e projetos que dependiam da normalidade pudessem tornar-se reais.
Sabendo o destino, podemos chegar por diferentes caminhos.
Hugo Salgueiro
Senior Partner DFK & Associados




