Da economia à sustentabilidade: CEOs explicam o que podem as empresas esperar de 2024

A Executive Digest falou com líderes de empresas de referência no mercado nacional para perceber quais as principais dificuldades, desafios e oportunidades que o ano de 2024 trará ao setor empresarial nacional.

André Manuel Mendes

As empresas enfrentaram um 2023 repleto de desafios, marcado por tensões geopolíticas e uma crise inflacionária e económica. Estes desafios também resultaram em oportunidades de as empresas e os seus líderes se adaptarem a um novo contexto, adaptando as suas estratégias para se conseguirem destacar no mercado. E para 2024, o que podem as empresas esperar?

A Executive Digest falou com líderes de empresas de referência no mercado nacional para perceber quais as principais dificuldades, desafios e oportunidades que o ano de 2024 trará ao setor empresarial nacional.



 

José Soares de Pina, CEO do Grupo Altri

Muitos dos desafios com que as empresas portuguesas serão confrontadas no novo ano não são propriamente novos. A instabilidade geopolítica, o arrefecimento das economias e a inflação elevada já se fizeram sentir em 2023, e deverão continuar a estar presentes nos desafios dos empresários e gestores ao longo do próximo ano.

Infelizmente, as tensões geopolíticas têm feito parte da realidade mundial recente. Está cada vez mais presente o receio de um escalar para um conflito mais abrangente numa geografia relevante para muitas empresas, como é o Médio Oriente.

Num período pós-pandémico, a economia mundial atravessa agora os efeitos nefastos da escalada dos preços. Há dúvidas quanto a se caminhamos para uma recessão ou não, mas é certo que as economias podem abrandar expressivamente no próximo ano perante a ação robusta por parte dos bancos centrais na tentativa de controlarem a inflação.

Já seria de esperar este resultado, que obviamente impacta na atividade das empresas. Mas diria que é um impacto necessário para colocar um travão a subidas de preços, especialmente os da energia, que colocaram em risco tantos negócios que não fizeram atempadamente uma aposta na transição energética. No Grupo Altri, estamos a fazê-lo, contando já com uma das nossas três unidades de produção 100% livre de combustíveis fósseis.

Se é certo que 2024 se antevê desafiante, também acredito que existem algumas oportunidades no horizonte que as empresas poderão agarrar. Assistimos a mudanças rápidas nos padrões de consumo e essa poderá ser a janela para as empresas investirem em novas oportunidades de negócio, especialmente as que estão alinhadas com critérios mais exigentes de sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, as empresas deverão continuar a trabalhar no sentido de se tornarem cada vez mais sustentáveis, reforçando a aposta em metodologias de trabalho focadas na redução de recursos – naturais e económicos – e, consequentemente, no aumento da produtividade. Neste sentido, vejo a transformação digital como um processo fundamental para as empresas, sendo uma oportunidade na atratividade de novos talentos para a indústria. Talvez este seja um dos principais desafios e oportunidades para 2024: a capacidade de adaptação das empresas portuguesas às preocupações e necessidades das pessoas, aceleradas pela pandemia que conduziu a uma mudança do paradigma.

 

António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais

Estamos atualmente perante cenários marcados por desafios e oportunidades. A inflação é exemplo de um desafio que contribuiu para a redução do poder de compra dos consumidores e que aumentou os custos de produção e financiamento, o que levou a um abrandamento de consumo. Também os conflitos mundiais, que podem impactar qualquer plano empresarial, têm contribuído para alguma incerteza a nível económico.

O ano de 2024 é um momento em que poderá ser sentido o impacto na redução de encomendas, com a consequente diminuição da atividade industrial e a escassez de mão-de-obra qualificada, que deverá continuar a limitar a capacidade de resposta e de diferenciação das empresas.

Outra questão que está a implicar mudanças nos modelos de negócio, processos produtivos e padrões de consumo, e que possivelmente continuará a fazê-lo, é a transição energética e ambiental. As empresas devem adotar processos alinhados com os princípios de sustentabilidade, sob pena de ficarem fora de contratos de fornecimento para as grandes companhias que já têm obrigatoriedades nestas matérias.

Porém, vemos também oportunidades para 2024, como é o caso de fundos europeus que disponibilizam recursos financeiros para projetos de investimento em inovação, digitalização, sustentabilidade, coesão e resiliência. Para além disto, o Orçamento do Estado incorpora mais medidas de apoio ao empreendedorismo e ao capital humano das empresas.

Outro ponto a destacar é o facto de que estão a ser cada vez mais explorados os serviços baseados no digital, que permitem analisar novos mercados, segmentos e necessidades, através de plataformas potenciadas pela inteligência artificial, o que pode potencializar negócios.

A evolução da ordem mundial pode também representar oportunidades na diversificação de mercados, permitindo alargar o leque de clientes e aproveitando as vantagens competitivas de Portugal (energia mais barata do que alguns mercados europeus, mão-de-obra qualificada, segurança e qualidade de vida).

 

 

Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial

Vivemos tempos turbulentos. Após dois anos de pandemia, os conflitos internacionais estão a ter um enorme impacto no preço das matérias-primas, e no campo energético evidenciaram a importância da segurança e independência energética, bem como da criticidade de transitarmos para energia limpa. Tudo isto num contexto cada vez mais evidente da urgência global de protegermos o nosso planeta.

Apesar da nossa preocupação com a situação mundial, 2023 deixou-nos um sentimento de esperança. 2023 foi já um ano sem precedentes nesta matéria – mais do que nunca, famílias e empresas quiseram ter um papel ativo na transição energética e um maior controlo sobre o tipo de energia que consomem. E hoje olhamos para cada telhado, fachada de prédio ou parque de estacionamento como uma oportunidade para acelerar esta transição, seja através da geração solar, seja através da mobilidade elétrica. Encaramos ainda esta oportunidade com o entusiasmo de quem sabe que não está sozinho – cada vez mais, através de um esforço coletivo e de verdadeiras parcerias, acreditamos que será possível alcançar os ambiciosos objetivos de transformação do nosso país.

2023 foi também o ano em que o ativismo climático ganhou expressão em Portugal. Devemos, sem dúvida, continuar a chamar a atenção para os problemas que enfrentamos enquanto sociedade, mas é fundamental apostar num debate sério e construtivo, baseado em factos e em iniciativas concretas, que alimentem um trabalho coletivo de resposta aos desafios.

Na EDP, estamos confiantes de que em 2024 vamos continuar a entregar projetos que acelerem esta transição em Portugal, e internacionalmente nos quase 30 mercados onde a EDP atua, de que vamos trazer mais famílias e mais empresas para esta transição energética, e de que vamos continuar a atrair e reter os melhores profissionais do mercado para fazerem este caminho connosco.

Vivemos tempos turbulentos e incertos, numa década de enormes desafios, mas que também deve ser de muita esperança. Estamos perante uma revolução energética que vai melhorar as nossas vidas. Há que a abraçar porque o futuro é agora.

 

 

João Manso Neto, CEO do Grupo Greenvolt

Se 2023 foi um ano desafiante, 2024 encerra em si um conjunto de desafios que, na minha perspetiva, são sobejamente maiores dos que acabámos de ultrapassar. Enfrentamos um conjunto imenso de adversidades mas, claro, também de oportunidades que não podemos não agarrar.

Não há dúvidas de que a economia global, mas especialmente a da área do euro, está em claro processo de abrandamento. E há mesmo algumas economias de peso que se não estão já, dificilmente escaparão a uma recessão. Portugal está em clara travagem após um forte impulso na primeira metade do ano, projetando-se um crescimento, ainda que ligeiro, no novo ano.

Esta travagem económica é reflexo de uma atuação vigorosa por parte da autoridade monetária do euro para travar a escalada dos preços a que assistimos. Trazer a inflação de volta para o nível de 2% obrigou o BCE a encarecer de forma muito rápida o preço do dinheiro, com impacto direto no rendimento disponível das famílias, com impacto nas empresas, tanto do lado do volume de negócios como do lado dos custos financeiros. E, em última análise, na economia como um todo.

Esta conjuntura, juntamente com os claros retrocessos a que temos assistido na globalização, vai exigir de todos nós, cidadãos, empresas, mas também do Estado, uma ainda maior capacidade de resiliência. Mas mais do que isso, exigirá também, da parte das empresas, ter a capacidade para tomar decisões estruturantes que lhes possam dar as armas necessárias para os desafios atuais e preparar para as oportunidades futuras.

Em Portugal, as empresas não têm, felizmente, falta de capacidade financeira. Há mais capitais próprios, há capacidade de investimento, há liquidez, mas falta, muitas vezes, a capacidade de decidir. Protela-se muito, executa-se pouco e o tempo passa, sem que nada aconteça, com os custos associados à inação. O Estado faz, muitas vezes, o mesmo, mas as empresas têm capacidade e, diria mesmo, obrigação de fazer melhor.

Nesta obrigação de decidir incluo, obviamente, a de passar das palavras aos atos no que toca à sustentabilidade. Esta é uma oportunidade que as empresas portuguesas têm de agarrar, para a qual têm os meios necessários, sem precisar de quaisquer subsídios, basta terem a coragem de dar o passo em frente. Já não estamos no nice to be, mas, sim, no must be sustentável. No Grupo Greenvolt, como player de referência no setor das energias renováveis, somos sustentáveis por natureza, mas somos também a chave que abre a porta de muitas empresas para um futuro mais sustentável, seja financeiramente, pelos menores custos com a energia, seja em termos ambientais e sociais, pela importante redução da pegada carbónica.

 

Alexandre Ramos, CIO da Liberty na Europa

No que diz respeito a oportunidades temos o talento, continuaremos a formar especialistas acima da média e que são também “internacionalmente” valorizados.

A nível tecnológico, o ano de 2024 vai continuar a consolidar tecnologias de linguagem natural, inteligência artificial e Machine Learning, sendo que a sua utilização em temas como eficiência de processos e aumento da qualidade dos serviços que as empresas prestam será uma obrigação. Um caso de uso claro será o auxílio ao desenvolvimento de software assistido com estas técnicas, tirando partido de todo o conhecimento interno já existente na organização, mas auxiliado com linguagem natural, auxiliando de forma natural os developers. Ao mesmo tempo teremos cada vez mais profícuas discussões sobre aspetos éticos que importa discutir e salvaguardar, bem como aspetos de privacidade.

Teremos finalmente a consolidada da utilização massiva de plataformas baseadas na nuvem, que desde a pandemia viram uma clara aceleração na sua utilização, forçando muitas organizações a iniciarem esta adoção. Veremos a estandardização e consolidação desta prática, em muitos casos híbrida, mas noutros totalmente baseada na nuvem. Com esta massificação veremos também a materialização de variados ecossistemas tecnológicos/parceiros.

O ano de 2024 continuará a ser um ano de consciencialização de que os ciberriscos vieram para ficar e que a união de esforços é a única solução para se ir mitigando os diversos riscos a que estamos diariamente expostos. Cada vez mais os riscos são múltiplos e, por isso, há uma necessidade crescente de existirem competências, investimentos e capacidades para lidar com os mesmos. Por isso, juntarmos esforços nacionais e internacionais e tirarmos partido das ditas Mega clouds é fundamental.

Ao nível dos desafios considero que a retenção das pessoas será o mais relevante. São o ativo mais importante que um país tem, tendo qualificação superior ou não. Temos de ser um país onde todos podem viver condignamente e ter acesso ao básico, ter um teto, ter saúde e poder ter uma família.

 

Nelson Pires, Diretor-Geral da Jaba Recordati

O “motor” da economia portuguesa está a desaparecer com a redução das exportações em -8,8%. A crise nos mercados de exportação com menor procura externa está a afetar seriamente a economia portuguesa. Por outro lado, vemos também uma redução do consumo interno devido à redução do poder de compra, causada pela inflação galopante, elevada carga fiscal e a subida das taxas de juro. A instabilidade política do próximo ano, apesar de existir orçamento de estado, pode aumentar devido à tendência dos candidatos políticos quererem prometer “tudo a todos”. O que significa despesa que apenas pode ser compensada com dívida ou receita fiscal. Só que temos uma elevada incerteza de cobrança fiscal, que está dependente do desempenho da economia. Num ambiente de negócios com um “mau Orçamento de Estado” (em minha opinião), em que não existe estratégia económica, mas sim um exercício de “malabarismo orçamental” em que se aumenta o rendimento disponível imediato, mas não o rendimento real (uma baixa do IRS até ao 5ª escalão e moratória nas taxas de juro; mas aumento dos impostos indiretos em +9.9%). Existe burocracia desnecessária, não existe uma modernização e simplificação da administração pública, existem custos de contexto gigantescos, existe uma enorme carga e imprevisibilidade política e fiscal. Recordemos que 21% da população Portuguesa é pobre, valor que apenas é reduzido em cerca de 5% por causa das transferências sociais do estado. Portanto o estado terá de cobrar, cobrar, cobrar, às pessoas e às empresas!

Julgo que o PRR não vai alterar o rumo da economia nem provocar reformas estruturais. Apenas alterações conjunturais quando poderia reindustrializar o país com economia inovadora, sustentável e competitiva. O turismo, que pode continuar a “animar” o PIB Português, não será suficiente para reduzir a incerteza económica e financeira. Acrescido a uma inflação esperada de +3,6%, que acresce ao crescimento do custo de vida que aumentou bastante nos 2 últimos anos.

Portanto julgo que 2024 será um ano de incerteza, muito pior para as PMEs que mais sofrem com a redução do consumo ou das encomendas para exportação. Este risco é o das insolvências e do desemprego.

Apenas existe uma medida que pode provocar alguma expectativa positiva: a Sra Lagarde vir reduzir ligeiramente a taxa de juro, pois a inflação está a baixar e a taxa de juro do BCE já está ligeiramente acima do que seria provável.

 

 

Manuel Ramalho Eanes, Administrador da NOS

As empresas e a atividade económica em geral continuarão a enfrentar em 2024 um ambiente desafiador. Por um lado, é expectável que se mantenha um contexto geopolítico complexo, com a guerra desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia e com o conflito no Médio-Oriente.

Também não se antecipa a normalização da inflação, apesar das boas perspetivas deixadas pelos indicadores dos últimos meses. Relacionado com a inflação está, naturalmente, o custo de financiamento, com as taxas de juro diretoras a manterem-se em patamares elevados.

Neste enquadramento de grande disrupção e instabilidade, a inovação e a transição digital são fatores essenciais para assegurar a resiliência e competitividade das empresas e dos seus negócios.  Saber utilizar as tecnologias disruptivas que surgem, e que cada vez mais estão à disposição das empresas, permite desbloquear um conjunto de oportunidades, quer ao nível do desenvolvimento de serviços, como de novas aplicações que prometem mudar a forma como as empresas trabalham e fazem os seus negócios.

Na NOS, temos feito um caminho em ajudar as empresas a desbloquear todo o potencial que estas novas tecnologias encerram, através de um forte investimento não só em ID, mas também na capacitação das nossas equipas, de forma a responder às exigências das organizações – públicas e privadas.

Neste mundo globalizado, cada vez mais digital e em tensão geopolítica, será também fundamental que as empresas reforcem os seus sistemas de cibersegurança, adotando práticas defensivas e redundantes de modo a proteger o seu negócio e reforçar a confiança junto dos seus clientes.

Outro dos grandes desafios será o da sustentabilidade. As empresas são chamadas a ter um papel cada vez mais ativo e relevante na sustentabilidade económica, social e ambiental. É esperado que, não só adotem as melhores práticas, como também que sejam um motor de transformação e vejam na sustentabilidade uma oportunidade adicional de transformação. Acreditamos que neste campo, o 5G será uma ferramenta importante. O Fórum Económico Mundial afirmou que tecnologias como o 5G e a IoT podem ajudar a reduzir as emissões globais em 15%, até 2030.

Por último, o mais importante, a gestão de talento e das pessoas é, sem dúvida, um desafio, mas também uma oportunidade. Nesta conjuntura de grande disrupção, é ainda mais crucial valorizarmos as pessoas, garantirmos que têm as competências certas para fazer face ao futuro e assegurarmos que se sentem realizadas e que conseguem ter um bom equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

 

Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal

2024 será mais um ano desafiante.

A incerteza permanece elevada. A instabilidade geopolítica não se dissipou, antes agravou-se, em 2023. Do ponto de vista político, teremos um importante conjunto de processos eleitorais: em Portugal, eleições gerais que definirão o novo Governo; na União Europeia, o novo Parlamento Europeu e Comissão; e, nos EUA, teremos, já em novembro, eleições presidenciais. São, de modo geral, processos cujos impactos extravasam claramente as fronteiras da região onde ocorrem.

Ao nível económico, o ano de 2023 registou, no segundo semestre, um significativo abrandamento da atividade económica, que afetou especialmente o setor industrial, mas também o setor dos serviços.

A visão de consenso é de que a atividade deve começar a recuperar em 2024, à medida que alguns dos choques adversos dos dois últimos anos se esbatem. Os preços da energia já corrigiram dos máximos recentes, e as cadeias globais evidenciam sinais de progressiva normalização, o que tem permitido uma desaceleração mais rápida da inflação.

Em consequência, as taxas de juro de referência dos bancos centrais terão já atingido o seu ponto máximo, e, embora provavelmente devam permanecer nos atuais níveis ainda durante grande parte do primeiro semestre, as expetativas são que o próximo movimento seja de descida, o que já se traduziu numa redução pronunciada das taxas de juro de médio e longo prazos.

Neste sentido, olhando para o futuro próximo com realismo e reconhecendo os riscos adversos ainda existentes, as empresas devem manter e reforçar a sua estratégia de transformação, também climática e digital, que suporte o objetivo de crescer mais, de forma mais sustentada e sobretudo sustentável, com ganhos de produtividade alavancados em ganhos de dimensão e escala. Empresas maiores e mais sólidas têm maior capacidade concorrencial em mercados mais competitivos, incluindo na atração e retenção do talento formado em Portugal tão ambicionado na Europa.

Para esse efeito, as empresas nacionais dispõem, também, dos fundos europeus, com o Portugal 2030 em plena operacionalidade, para apoiar as empresas nesse processo transformacional. E o setor bancário estará, como sempre esteve e está, ao serviço das empresas, apoiando os muitos bons projetos que contribuirão para elevar o potencial de crescimento da economia portuguesa.

 

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