Covid-19: Preços dos alimentos a nível mundial sofrem queda acentuada

Os preços de alimentos a nível mundial registaram uma nova quebra acentuada em Abril, pelo terceiro mês consecutivo. Um reflexo do impacto económico e logístico da pandemia do novo coronavírus.

Simone Silva

Os preços de alimentos a nível mundial registaram uma nova quebra acentuada em Abril, pelo terceiro mês consecutivo. Um reflexo do impacto económico e logístico da pandemia do novo coronavírus, segundo informações prestadas esta quinta-feira pela agência de alimentos das Nações Unidas, citadas pela ‘Reuters’.

O índice de preços dos alimentos da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), que mede as variações mensais de diversos produtos, nomeadamente cereais, óleos, lacticínios, carnes e açúcares, registou uma média de 165,5 pontos no mês passado, uma queda de 3,4% face a Março.



O índice de preços do açúcar da FAO registou uma quebra de 14,6% em Abril, relativamente ao mês anterior, com a crise do novo coronavírus a afectar a procura, reduzindo também a necessidade de cana de açúcar para produzir etanol, segundo o organismo.

O índice de preços do óleo vegetal caiu 5,2%, afectado pela queda nos valores do óleo de palma e de soja, enquanto que o índice de lacticínios, por sua vez, registou uma descida de 3,6%, com os preços da manteiga e do leite em pó a sofrer quebras de dois dígitos.

O índice da carne diminuiu 2,7%, com uma recuperação parcial da procura de importação da China que, ainda assim, não foi suficiente para equilibrar a queda nas importações verificada em outros locais. A FAO revelou ainda que os principais países produtores têm sofrido algumas dificuldades na produção, numa altura em que os bloqueios motivados pela pandemia causaram uma queda acentuada nas vendas de muitos países.

«A pandemia está a afectar os lados da procura e da oferta de carne, já que o encerramento de restaurantes e a redução dos rendimentos das famílias conduzem a um menor consumo e a uma escassez de mão-de-obra, que prejudicam os sistemas de produção» segundo o economista sénior da FAO, Upali Galketi Aratchilage, citado pela ‘Reuters’.

Em contraste com os outros índices, o índice de preços dos cereais da FAO diminuiu apenas ligeiramente.  Os preços do milho caíram em cerca de 10%, afectados pela diminuição da procura da alimentação de animais e pela produção de biocombustíveis.

Por sua vez, os preços do arroz registaram um aumento de 7,2% em Abril, face ao mês anterior,  devido em grande parte às restrições temporárias da exportação do Vietname que foram posteriormente revogadas, segundo a FAO. Os preços do trigo subiram 2,5%.

A FAO reduziu sua previsão de utilização de cereais em 2019/20 para 24,7 milhões de toneladas, principalmente devido ao impacto do coronavírus na economia.

O organismo prevê ainda uma produção mundial de 762,6 milhões de toneladas de trigo para 2020/21, em linha com o nível de 2019. Estimam-se colheitas menores na União Europeia, norte da África, Ucrânia e Estados Unidos, compensada por maiores colheitas na Austrália, Cazaquistão, Rússia e Índia.

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