Covid-19. «O pior vírus é mesmo o do alarme social», afirma Costa

O primeiro-ministro, António Costa, abriu esta quarta-feira o debate quinzenal no Parlamento com uma intervenção sobre «a prevenção e contenção da epidemia Covid-19», na semana em que foram confirmados cinco casos de infecção em Portugal, garantindo haver enquadramento legal na Lei de Bases da Saúde para isolamento obrigatório.

Ana Rita Rebelo
Março 4, 2020
15:34

O primeiro-ministro, António Costa, abriu esta quarta-feira o debate quinzenal no Parlamento com uma intervenção sobre «a prevenção e contenção da epidemia Covid-19», na semana em que foram confirmados cinco casos de infecção em Portugal, garantindo haver enquadramento legal na Lei de Bases da Saúde para isolamento obrigatório.

O governante lembrou que a gravidade da epidemia pode levar a medidas como o «internamento hospitalar ou isolamento profiláctico em casa», indo ao encontro do que foi dito na terça-feira pela ministra da Saúde, Marta Temido.

Negou estar a ser «optimista», reiterando que se deve ter «humildade», sendo «factual», e que o executivo tomará todas as medidas determinadas pela Organização Mundial da Saúde e da Direcção-Geral da Saúde. Já sobre o stock de máscara, garantiu que há dois milhões de unidades, ressalvando, ainda assim, que não é recomendável o uso à generalidade da população.

Quanto à proposta do Chega para consagrar o internamento obrigatório na Constituição, Costa atirou: «O pior vírus é mesmo o do alarme social». Mais tarde, voltou a referir que o internamento será «só para os casos mais graves».

Sobre os voos provenientes de Itália, o primeiro-ministro recordou que está já ser feita a rastreabilidade aos passageiros e das pessoas que estão à volta dos mesmos e que estejam com sintomas gripais.

Defendeu ainda que, da União Europeia, só Itália está a fazer o controlo da temperatura nos aeroportos. «Nunca dependerá de mim, mas do aconselhamento da Direcção-Geral de Saúde. Quando entender que deve ser feito, será feito. Sigo disciplinadamente os conselhos técnicos.»

António Costa revelou também que o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, já reuniu com as principais associações empresariais e concluiu que, para já, «o impacto económico para as empresas tem sido moderado ou reduzido», tendo-se verificado uma quebra apenas no sector turístico. O Governo prepara-se, ainda assim, para «lançar uma linha de crédito de apoio de tesouraria às empresas no valor inicial de 100 milhões de euros», adiantou.

A epidemia do novo coronavírus, detectado em Dezembro na China, já infectou pelo menos 93.076 pessoas em 78 países de todos os continentes, das quais morreram 3.202, segundo o balanço mais recente do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. Portugal tem, neste momento, cinco casos confirmados de infecção por coronavírus.

*Em actualização

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