A directora geral da saúde, Graça Freitas, disse, na conferência de imprensa diária desta quarta-feira, que avós e netos podem conviver, contudo «depende dos avós».
«Se os avós já tiverem uma idade avançada com patologias associadas devem ser observadas precauções. O que significa que o convívio familiar com estas pessoas deve fazer-se, mantendo as medidas já anunciadas de higiene e distanciamento social», defende a responsável.
No que diz respeito aos lares, Graça Freitas indica que estão a ser estudadas novas indicações, nomeadamente para a retoma das visitas.
A directora geral da saúde dirige-se ainda a toda a comunidade escolar, dizendo que o regresso às aulas está a ser devidamente ponderado, através de um conjunto de regras para minimizar o risco, «que dependem de uma série de condições», refere sublinhando que «O regresso às aulas deve ser feito de forma ordeira e respeitando regras».
A responsável anuncia também a publicação ainda no dia de hoje, de um manual com regras genéricas sobre o vírus e outras mais especificas, nomeadamente no que diz respeito à questão dos sistemas de ventilação e ares condicionados.
Relativamente ao regresso do futebol, o tema será discutido ainda hoje numa reunião, segundo Graça Freitas.
O secretário de estado da saúde, António Sales também esteve na conferência dizendo que o Instituto Dr. Ricardo Jorge lidera um estudo nacional, um projecto piloto para sequenciar mil genomas do novo coronavírus.
O estudo possibilita a identificação de cadeias de transmissão, pontos de entrada do vírus em Portugal, bem como a escala da transmissão comunitária, para orientar as medidas a tomar relativamente ao surto. Até ao final da semana prevê-se a sequenciação de 400 genomas do vírus, segundo António Sales.
Para explicar melhor o projecto, o presidente do INSA, Fernando Almeida, marcou presença na conferência, dizendo que «Vamos entrar nesta questão de sequenciação do genoma do coronavírus – já foi usada na legionela, sarampo, hepatite – para melhor perceber o bilhete de identidade, ou a impressão digital deste coronavírus».
O responsável indica também que desde que o coronavírus saiu de «Wuhan até chegar a Portugal conseguimos identificar que o genoma já sofreu 150 mutações. O desconfinamento obriga-nos a debruçar ainda mais sobre estas variações, perceber onde é que determinado surto emergiu para permitir ações subsequentes em termos de autoridades de saúde».
António Sales refere ainda que «as novas plataformas ao serviço da saúde têm sido cruciais na resposta à pandemia».
Existem actualmente cerca de de 287 mil utentes na plataforma Trace-Covid, que gere a epidemia, um aumento de 110 mil pacientes que resulta da integração no SINAVE. Mais de 22 mil utentes estão em vigilância clínica, acompanhados por cerca de 73 mil profissionais de saúde inscritos na plataforma.
Foram realizados mais de 470 mil testes desde 1 de Março. De 1 a 4 de Maio, a média foi de cerca de 10.700 testes diários: 46,5% nos públicos e 42,5% nos privados, segundo o responsável.
António Sales indica que tanto os diabéticos como os hipertensos «podem ficar tranquilos», porque apesar de serem pessoas de risco não estão necessariamente associados a um maior risco de infecção.
«A partir de um momento em que um deles descompensa ficam cobertos pelo chapéu das doenças crónicas», tendo de ser acompanhados pelos profissionais de saúde, segundo o secretário de estado da saúde.
António Sales mantém a intenção de continuar com os circuitos Covid e não Covid nos estabelecimentos de saúde, sublinhando mais uma vez que não «descartamos uma eventual segunda vaga do surto».
Relativamente ao plasma de doentes já recuperados, o responsável acredita que as colheitas comecem no final deste mês. «Temos uma grande esperança nesta matéria», afirma o secretário de estado da saúde.
Portugal regista actualmente 26.182 casos confirmados do novo coronavírus e ainda cerca de 1.089 vítimas mortais, segundo o boletim divulgado há instantes pela DGS.




