Covid-19. Continua a aumentar recurso a lay-off e já atinge 54% das empresas

Na semana de 20 a 24 de abril, o INE apurou ainda que 39% das empresas registaram uma redução superior a 50% do volume de negócios e 26% referiram uma redução superior a 50% no número de pessoas.

Sónia Bexiga

A percentagem de empresas que assinalaram diminuições do volume de negócios e do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar manteve-se elevada (80% e 59%, respetivamente), segundo o “Inquérito Rápido e Excecional às Empresas – COVID-19”, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e Banco de Portugal, esta terça-feira.

Do acompanhamento do impacto da pandemia nas empresas, na semana de 20 a 24 de abril, o INE apurou ainda que 39% das empresas registaram uma redução superior a 50% do volume de negócios e 26% referiram uma redução superior a 50% no número de pessoas ao serviço efetivamente a trabalhar.

 



A percentagem de empresas encerradas (temporária e definitivamente) é mais elevada no setor do Alojamento e restauração. No setor dos Transportes e armazenagem a percentagem de empresas encerradas temporariamente aumentou na última semana (de 10% para 14%).

 

As restrições no contexto do estado de emergência e a ausência de encomendas/clientes mantiveram-se como os motivos referidos como tendo mais impacto para o encerramento definitivo das empresas.

 

“Os resultados da terceira semana de inquirição (semana de 20 a 24 de abril de 2020) confirmam os desenvolvimentos identificados nas duas semanas anteriores”, reforça o INE.

 

O recurso ao layoff simplificado aumentou, correspondendo ao principal fator para a redução do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar, tendo sido assinalado por 54% das empresas (52% na semana anterior).

A situação mais relevante para a redução do pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar continuou a ser o layoff simplificado, assinalado por 54% das empresas (52% na semana anterior), seguindo-se as faltas no âmbito do estado de emergência, por doença ou por apoio à família, referidas por 29% das empresas.

Por dimensão, esta proporção continuou a ser maior nas micro empresas e, por setor, no Alojamento e restauração. Em termos de perfil exportador, foram as empresas não exportadoras que mais recorreram ao layoff simplificado.

Excluindo o layoff simplificado, a proporção de empresas que não prevê o recurso a medidas de apoio aumentou na última semana, atingindo proporções entre 48% e 59%, consoante a medida. Entre as medidas consideradas, 13% das empresas já beneficiou da suspensão de obrigações fiscais e contributivas e 10% da moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes.

Foi introduzida uma nova característica para análise: empresas com ou sem perfil exportador. Por dimensão, as empresas com perfil exportador são maioritariamente médias ou grandes empresas (65%).

No caso das empresas sem perfil exportador predominam as empresas de reduzida dimensão (63% são micro ou pequenas empresas). Nas empresas com perfil exportador registou-se uma maior proporção de empresas em funcionamento (88% face a 82% nas restantes).

A percentagem das empresas com perfil exportador que referiu diminuições do volume de negócios e do pessoal ao serviço foi ligeiramente superior à média, mas as reduções reportadas foram relativamente menores. O recurso ao layoff simplificado foi assinalado por 47% destas empresas (57% nas empresas sem perfil exportador).

O INE dá ainda nota de que cerca de 12% das empresas recorreram a crédito adicional na semana anterior, sendo esta percentagem superior nas empresas com perfil exportador (15% face a 11% nas restantes). A maioria dos novos créditos
continuou a ser contraída em condições semelhantes às anteriormente praticadas.

A percentagem de empresas em funcionamento ou temporariamente encerradas que já beneficiou das medidas anunciadas pelo Governo, devido à pandemia, aumentou ligeiramente face à semana anterior, mas continuou a ser reduzida. A percentagem de empresas que planeia beneficiar registou uma diminuição na última semana.

Entre as medidas consideradas, 13% das empresas já beneficiaram da suspensão de obrigações fiscais e contributivas e 10% da moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes.

Excluindo o layoff simplificado, a proporção de empresas que continuou a não prever o recurso a medidas de apoio aumentou, atingindo proporções entre 48% e 59%, consoante a medida.

O setor de Alojamento e restauração continuou a registar proporções superiores de empresas que já beneficiaram ou com intenções de beneficiar das medidas de apoio. As empresas com perfil exportador referem em maior proporção o recurso (realizado ou prospetivo) à moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes (40%) e o acesso a novos créditos com juros bonificados e garantias do Estado (47%).

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