Covid-19. Almaraz poderá ter de parar devido à pandemia

Almaraz, a maior central nuclear de Espanha, vê-se agora ameaça pela Covid-19 e poderá mesmo ter que parar caso não consiga substituir as pilhas de urânio enriquecido, fundamentais para o seu funcionamento.

Executive Digest

Almaraz, a maior central nuclear de Espanha, vê-se agora ameaça pela Covid-19 e poderá mesmo ter que parar caso não consiga substituir as pilhas de urânio enriquecido, fundamentais para o seu funcionamento. Esta operação estava prevista para o próximo domingo, dia 29, mas, devido às restrições impostas no país por causa da pandemia, foi adiada para 14 de Abril.

Almaraz debate-se ainda com um «enorme problema»: a falta de pessoal. Em declarações à “Renascença”, o dirigente do Observatório Ibérico de Energia, António Eloy, diz que «um terço dos seus trabalhadores estão em casa, de quarentena ou infectados». «Todas as centrais têm um número estabelecido de funcionários para poderem trabalhar. Isto para que quando há falhas – e em Almaraz tem havido imensas – elas possam ser logo detectadas. A vigilância tem que ser intensa. Se não for, a falha pode transformar-se num desastre», acrescentou.



O Governo espanhol está já a substituir a Guardia Civil por militares na segurança das sete centrais ainda em funcionamento no país. E, ao que António Eloy apurou junto dos membros do Observatório em Espanha, a presença do Exército está «a causar alguma tensão entre as populações, já bastante abaladas com a gravidade da epidemia de Covid-19». As explicações dadas pelas autoridades – «riscos de segurança externa ou interna» não especificados – agravam o clima.

De acordo com a “Renascença”, acresce o facto de o fornecimento de combustíveis e de peças para substituição está também a ser afectado, além do decréscimo do consumo de energia eléctrica provocado pelo abrandamento da actividade económica que já levou ao encerramento de duas centrais em França e de uma na Grã-Bretanha.

A central de Almaraz, a maior do país, fica a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa e usa a água do rio Tejo para refrigeração. O Governo espanhol autorizou, recentemente, estender o prazo de funcionamento desta e de outras centrais até aos 40 anos.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.