O primeiro-ministro elogiou o trabalho desenvolvido e a possibilidade de antecipação do processo de vacinação no quadro de um esforço coletivo dos Estados-membros da União Europeia. “Foi uma excelente notícia que ontem tivemos, porque a Agência Europeia do Medicamento pôde antecipar de dia 29 para dia 21 o processo de apreciação da vacina da Pfizer/BioNTech. Aquilo que estamos todos a fazer um grande esforço é para coordenar de forma a que, no mesmo dia, em todos os Estados-membros possamos iniciar o plano de vacinação”, destacou.
António Costa falava aos jornalistas, em declarações transmitidas pela RTP 3, antes do almoço de trabalho em Paris com o Presidente Emmanuel Macron. Costa lembrou a importância da aprovação do orçamento plurianual da Comissão e do Fundo de Recuperação e Resiliência na última reunião do Conselho Europeu, além do “compromisso conjunto de alcançarmos uma redução de 55% nas emissões dos gases com efeito de estufa daqui até 2030”.
Por outro lado, lembrou também as três principais prioridades da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, com início agendado para 1 de janeiro: “Primeiro, a recuperação económica justa, verde e digital e que permita recuperar deste dano económico, social dramático que a crise da covid tem provocado. A conclusão da aprovação de todos os regulamentos e dos diferentes planos nacionais de recuperação serão a nossa primeira grande prioridade”, começou por indicar.
Em seguida, indicou o “desenvolvimento do pilar social europeu”, acentuando que “o nosso modelo social deve ser a base sobre a qual construímos a confiança para que todos participem nos desafios da transição climática e digital. Sabemos que são desafios que a Europa não pode adiar, mas colocam questões concretas ao futuro do trabalho e exigem um grande investimento na formação, na requalificação profissional, na inovação para que as empresas sejam mais competitivas, e o reforço da proteção social para que ninguém seja deixado para trás”, disse.
A terceira prioridade “tem a ver com o reforço da autonomia estratégica de uma Europa aberta ao mundo. E por isso temos de ter um debate profundo sobre a a política industrial, comercial e de concorrência ao mesmo tempo que devemos ter uma visão de estreitar o nosso relacionamento com o continente africano, a nossa parceria oriental e o diálogo com novos parceiros no quadro do Indo-Pacífico, designadamente com a cimeira que vamos realizar com a Índia, parceiro fundamental da Europa em toda essa região”.
Além disso, Costa manifestou ainda a esperança de que a “presidência de Joe Biden permita também relançar a dinâmica das relações transatlânticas tão importantes”, sendo “o primeiro bom sinal o compromisso de o Presidente americano regressar ao Acordo de Paris”, destacou, concluindo com elogios ao papel da França e de Emmanuel Macron.
Pouco antes, Macron referira-se ao trabalho que a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia poderá realizar em temas fundamentais como “o reforço do pilar social europeu”, incluindo a criação do salário mínimo europeu, “uma Europa mais verde”, com a redução, que seja justa e eficaz, acima de 50% dos gases com efeitos de estufa, a soberania digital europeia, a proteção da livre circulação. Lembrou ainda a importância do que está a ser negociado no âmbito do Brexit e que haverá lugar a discussões sobre uma agenda de migração, a reforma de Schengen e uma soberania económica, industrial e monetária da União.




