Os efeitos do novo vírus da China são transversais a praticamente todos os setores e começam a fazer-se sentir, agora, na área da Saúde, colocando em risco o acesso a remédios essenciais, não só na Ásia, mas também, na Europa.
“A China, assim como a Índia, são países responsáveis pela produção de uma grande quantidade de substâncias ativas. Há muitas fábricas a fechar portas, neste momento. Como é que é suposto fabricar medicamentos nestas condições?”, denuncia, ao Correio da Manhã, fonte ligada à indústria farmacêutica portuguesa, alertando para o facto de Portugal “não se precaver” para uma “clara e iminente rutura de remédios”.
Questionado pelo CM sobre uma eventual escassez ou até mesmo rutura de remédios em Portugal, a Autoridade do Medicamento (Infarmed) confirma que os países asiáticos “abastecem muitos laboratórios, quer de marcas, quer de genéricos”, mas descarta, para já, a falta de medicamentos, embora admita preocupação com a evolução do Covid-19.
“Estamos a monitorizar ao máximo a produção não só de substâncias ativas nestes países, mas também de dispositivos médicos, como as máscaras, por exemplo”, acrescenta.
Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, reconhece, em declarações ao mesmo jornal, que é preciso “acautelar a produção de um conjunto de produtos” e “pensar em caminhos diferentes para a produção das substâncias”.
O European Fine Chemicals Group, que representa os fabricantes de substâncias ativas dos remédios, já tinha alertado para o problema. Embora a Europa seja também um grande produtor de medicamentos, é da Ásia que vem a maioria dos compostos para o fabrico. Sem o cultivo destas substâncias, não há remédios.



