O pacote salarial médio dos CEOs das maiores empresas norte-americanas atingiu os 12,3 milhões de dólares, no ano passado. O mais recente inquérito da AP mostra que o valor médio que um CEO recebe saltou 4,1% em 2019, ao passo que para os restantes colaboradores das respectivas empresas o aumento salarial foi de apenas 3,2%.
Seriam precisas duas vidas para que o trabalhador típico da maioria das empresas presentes no ranking S&P 500 conseguisse ganhar o mesmo que o seu CEO. Ou seja, 169 anos, de acordo com uma análise elaborada pela Equilar.
Olhando para o ranking deste ano, surgem nomes conhecidos como Robert Iger (Disney) ou Reed Hastings (Netflix), mas o grande destaque vai para Lisa Su. A CEO da Advanced Micro Devices é a primeira mulher no topo da lista dos gestores com os salários mais elevados: a compensação global de Lisa Su chegou aos 58,5 milhões de dólares, em 2019.
A Fortune, que dá conta do ranking da AP, esclarece que CEOs como Sundar Pichai (Alphabet) ou Robert Swan (Intel) tiveram pacotes salariais ainda mais elevados mas que foram excluídos da lista. A AP considera apenas líderes da S&P 500 que ocupem o cargo há pelo menos dois anos.
E depois da pandemia?
A questão que se impõe agora é se estes valores milionários manter-se-ão na análise do próximo ano, tendo em conta a pandemia que o Mundo atravessa agora. Segundo a Fortune, existe a possibilidade de o COVID-19 afundar as compensações dos CEOs, reduzindo a desigualdade entre executivos e restantes funcionários.
Recorde-se que centenas de CEOs já abdicaram dos seus salários (total ou parcialmente) na sequência do novo coronavírus e decisões deste tipo irão, certamente, impactar o ranking de 2021. Além disso, as dificuldades que os mercados enfrentam farão com que seja mais complicado para os gestores cumprir os seus objectivos de desempenho, obrigando-os a dizer adeus aos habituais bónus.
«Acho que tem existido uma sensação crescente – não por parte de todos, mas de uma porção cada vez maior de investidores institucionais – de que os CEOs são pagos em excesso», afirma Amy Borrus, deputy director no Council of Institutional Investors. Citada pela mesma publicação, sublinha que o problema não reside exactamente no valor que recebem mas na falta de equilíbrio em relação ao desempenho da empresa.




