Coronavírus afunda crescimento de marcas de luxo

Tendo em conta que os chineses representam um terço do público de luxo, qualquer percentagem que se perca em vendas acaba por representar um impacto bastante significativo.

Filipa Almeida

A indústria dos bens de luxo é um dos sectores mais expostos às consequências económicas do coronavírus. Burberry, Capri e Estee Lauder estão entre as marcas afectadas, tendo fechado lojas e revisto em baixa as previsões de lucro.

«Os centros comerciais estão fechados, as poucas lojas que ainda estão abertas estão a trabalhar em horário reduzido e, acima de tudo, não existe tráfego de clientes», sublinha Stefano Sassi, CEO da Valentino. Citado pela agência Reuters, o líder da casa italiana mostra como o vírus poderá afectar o crescimento de algumas das principais marcas de luxo em 2020.



A Burberry, por seu turno, alerta hoje para uma quebra na procura, alterando as perspectivas financeiras traçadas para este ano. A empresa diz ter fechado mais de um terço das suas lojas da China Continental.

A par disso, os gastos de turistas chineses na Europa e restantes mercados também não tem correspondido às expectativas. As restrições de viagem que têm sido aplicadas por algumas companhias aéreas, por exemplo, deverão fazer com que o cenário se mantenha ao longo das próximas semanas. A Burberry espera até um agravamento.

Para a totalidade do sector, a mais recente estimativa do banco de investimento Jefferies é de um crescimento anual de apenas 1 a 5%. O défice, por seu turno, deverá ser de cerca de 12 mil milhões de euros.

Olhando apenas para os gastos dos chineses no mercado de luxo, a previsão é de uma quebra de 35% no primeiro trimestre de 2020. Sendo que estes consumidores respondem por mais de um terço dos gastos globais em bens de luxo, com a maioria das compras realizadas no estrangeiro.

Em média, os chineses gastam 790 euros por compra, na Europa. Contudo, os gastos podem facilmente subir para 2800 euros se estiverem de olho em joalharia, de acordo com a especialista em tax free Planet.

«Tendo em conta que os chineses representam um terço do público de luxo, qualquer percentagem que se perca em vendas acaba por representar um impacto bastante significativo em termos de resultados finais», vinca ainda David Perrotta, country manager da Planet para o Reino Unido, em declarações à mesma agência noticiosa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.