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Coronavírus: 30 crianças em estado grave no Hospital Dona Estefânia

O Hospital Dona Estefânia em Lisboa conta com 30 crianças internadas na Unidade de Infecciologia, infectadas com o novo coronavírus, todas elas em estado grave, de acordo com a directora do serviço, Maria João Brito, citada pela ‘SÁBADO’.

A especialista revela como a doença se manifesta nas crianças, deixando ainda um apelo: «Aquilo que estamos a tentar fazer na unidade é termos intercomunicadores em que, pelo menos, as mães e os miúdos mais velhos vejam a nossa cara do outro lado a falar, acho que isso é muito importante. Precisamos que nos arranjem esse tipo de intercomunicadores com câmara», afirma.

O Serviço necessita assim de pelo menos oito intercomunicadores, para cada um dos sete quartos e ainda mais um para a área reservada. O principal objectivo da sua utilização passa por acalmar a estranheza sentida por algumas crianças perante esta situação, ao verem os profissionais de saúde a utilizar os equipamentos de protecção individual obrigatórios.

«É um pouco estranho porque nós conhecemos a cara do doente, mas ele não conhece a nossa cara. Acho que isso para eles é extremamente complicado, porque não nos vêem. Nós tentamos criar contacto através dos olhos e do falar, mas eles não vêem a nossa cara e sei que isso, por vezes, é um pouco perturbador», refere Maria João Brito à ‘SÁBADO’.

Quando questionada sobre o porquê do vírus infectar mais frequentemente os adultos do que as crianças, a especialista refere que «nas crianças, a chamada imunidade inata é mais elevada que nos adultos. A imunidade inata é a capacidade que temos de combater infecções virais. À medida que crescemos, a imunidade vai enfraquecendo e, no adulto, ela é muito pobre. Isso faz com que um menor número de crianças seja infectado por este tipo de vírus», afirma.

Relativamente à gravidade da doença nas crianças, Maria João Brito indica que «Nós pensávamos que esta doença não era grave em crianças e não é isso que está a acontecer. Nós temos crianças em estado grave, noutros países também já há relatos de crianças com gravidade e, embora as taxas de mortalidade sejam muito mais baixas, existem relatos de mortalidade infantil com este vírus», refere acrescentando ainda que a gravidade da doença «não tem bem a ver com a idade: miúdos saudáveis podem ter ser contagiados e ficar em estado grave».

A especialista refere também que no internamento do serviço de infecciologia é permitido que o pai ou a mãe acompanhe as crianças, para que não se sintam tão sozinhas. Relativamente aos testes, Maria João Brito refere que «Nas crianças ainda fazemos mais testes, para além da zaragatoa», adiantando que «Os testes que temos são bons, mas não são muito bons. Há cerca de 30% de falsos negativos», refere citada pela ‘SÁBADO’.

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