Conectando venceremos

“Portugal está a sair para fora e ultrapassará este momento, pois a zona de conforto onde tão “bem” estivemos nos últimos 25 anos nos foi retirada.”

Delta Coders

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Paulo Carmona



Director da revista Executive Digest

Editorial publicado na edição de Maio de 2012 da revista Executive Digest

Portugal sempre foi um país de conectividades e o “acidente” da sua independência, segundo alguns historiadores, deve-se a essa propensão quase genética para fazer a ponte entre povos e geografias.

Depois dos cruzados e dos ingleses, ajudantes na conquista e na independência, fomos pelo mundo, inventando rotas entre os continentes, ligando os tecidos da Flandres à canela da Índia com o financiamento dos genoveses.

A Economia de Portugal sempre foi uma economia de PBX, unindo as cavilhas conforme os desejos ou as necessidades de cada um dos telefones/nações. Ligar a África ao Brasil ou o Japão à Índia e esta à Europa foi durante séculos a nossa especialidade.

Hoje esta propensão para a conectividade continua a ser uma vantagem concorrencial, mais ou menos usada conforme a possibilidade de dar largas à nossa outra propensão que é a da Economia das Rendas. O nosso objectivo principal sempre foi o de conseguir uma boa renda, garantida pela Corte, pelo Rei ou pelo Estado. No entanto, se a não conseguirmos e em alternativa, desenrascamo-nos bem com o PBX.

Acabadas muitas das rendas/bens não transaccionáveis, pelo menos para alguns, estamos naturalmente a regressar onde somos bons, num registo essencial para recuperarmos o país, a conectividade internacional. Vender é preciso.

Se os chineses, povo vincado por uma liturgia de simbolismos, deseja fazer, depois de 500 anos, o caminho inverso fazendo de Portugal um Macau para o negócio com a Europa, cá estaremos.

E se um país marítimo é o que faz falta a um país continental como a China ou a Alemanha, nós seremos o Faísca, um criado para todo o serviço. Se os Alemães desejam o mercado angolano, mas tudo aquilo é muito confuso e desorganizado, o Português pode ajudar!

Portugal está a sair para fora e ultrapassará este momento, pois a zona de conforto onde tão “bem” estivemos nos últimos 25 anos nos foi retirada. Não temos alternativa, mas sem receio conectando venceremos.

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