Como percepcionam as empresas os programas de Coaching e de Mentoring?

Por Ana Côrte-Real, Diretora MBA Executivo, Católica Porto Business School

Partilho um estudo exploratório, não representativo, mas interessante para nos fazer refletir sobre estas práticas.

O coaching e o mentoring podem inspirar, criar comprometimento, aumentar a produtividade, desenvolver talentos e promover o sucesso. Neste sentido, no contexto atual, ambas as abordagens se tornaram muito visíveis no mercado. Mas como é que o mercado percepciona estas abordagens? Para dar resposta a esta questão entrevistei 9 Diretores de Capital Humano, de empresas de referência, no contexto nacional e de diferentes setores. A minha motivação foi a de compreender a percepção das empresas relativamente ao recurso a programas de coaching e como posicionam os programas de coaching vs mentoring.

Em termos de resultados pude constatar que todas as empresas recorrem a programas de coaching para os seus colaboradores, maioritariamente com recurso a Coaches Externos. No entanto, o coaching de equipas ainda não é uma prática comum. No que respeita à importância do coaching como um meio de desenvolvimento e de transformação das Pessoas todos os entrevistados concordaram com a afirmação, realçando o seu impacto quer em termos pessoais, quer em termos profissionais “Na minha opinião, e dependendo do desenvolvimento de que falamos, sinto que é uma forma de nos desafiarmos, conhecermos melhor e escolhermos o caminho que que queremos fazer”; “É mais uma ferramenta que pode ajudar no desenvolvimento profissional e pessoal”.

Importa salientar que no que toca a um dos aspetos chave dos processos de coaching, que assenta na premissa de que o resultado depende do coachee e não do coach, percebe-se que esta questão pode não estar totalmente clara. Se para alguns dos entrevistados esta premissa é evidente: “Concordo que são um ótimo mecanismo de transformação das pessoas, pois têm por base a autorreflexão e o autorreconhecimento do que deve ser mudado, sendo o próprio coachee a desenvolver o caminho de como o pode fazer e por isso tem tanto poder”, “Acho que o coaching, desde que havendo desejo de mudança por parte do Coachee é o meio por excelência para desenvolver competências de forma eficaz”; para outros, podemos perceber que por vezes a eficácia do programa do coaching é associada ao domínio do Coach em relação ao contexto/ setor do coachee, o que contraria a lógica do processo estar do lado do coach e o resultado do lado do coachee: “Para serem eficazes em determinadas funções mais operacionais, exigem que o Coach compreenda a realidade das pessoas que acompanha e nem sempre é fácil fazê-lo”.

Em relação à forma como as empresas percepcionam o mentoring vs o coaching, fica claro que há uma tendência de ver o mentoring associado a processos internos e o coaching a processos externos: “Entendo que os programas de mentoring são internos e virados para uma melhor integração nas equipas e acompanhamento do trabalho do dia a dia. Os programas de coaching dizem respeito ao desenvolvimento e crescimento das pessoas e têm um impacto maior no desenvolvimento de soft skills”. Esta questão não retira a percepção de complementaridade entre os dois programas: “A minha opinião é positiva em ambos os casos. No caso do mentoring , o desenvolvimento faz-se pela observação/acompanhamento de um mentor, alguém que é uma referências nas competências que se pretende desenvolver. A aprendizagem/desenvolvimento faz-se pela observação/reflexão sobre a experiência do mentor. No coaching o desenvolvimento é muito por iniciativa do Coachee e o Coach induz a autoexploração do Coachee”.  Ou mesmo do recurso a uma abordagem híbrida: “Considero que cada um dos mecanismos é trabalhado de forma diferente, sou apologista de um programa misto, para que seja possível tirar partido do melhor que o coaching e o mentoring têm para oferecer como mecanismos transformacionais.”

Assim, ainda que com base num estudo meramente exploratório, qualitativo, importa reter que há oportunidades de reforçar a pertinência do coaching de equipas, que continua a ser relevante a clarificação entre o mentoring e o coaching, que as empresas tendem a ver o mentoring como um  processo mais interno e o coaching mais externo, ainda que os percepcionem como complementares ou até como soluções híbridas.

Numa palavra: o Mercado valoriza e precisa de práticas de coaching e de as aproveitar no âmbito das equipas.

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