Por Gianfranco Caffettani, Operations Director at Numen IT Portugal
A maioria das grandes empresas depende de sistemas informáticos complexos para gerir o seu dia a dia: finanças, logística, recursos humanos ou operações. Muitos desses sistemas são da SAP, uma das soluções empresariais mais utilizadas no mundo. O problema é que, ao longo dos anos, essas plataformas foram sendo alteradas e personalizadas até o limite. Cada adaptação resolvia um problema imediato, mas criava uma nova camada de complexidade. Hoje, muitos sistemas transformaram-se em verdadeiros labirintos tecnológicos — caros de manter e lentos a evoluir.
É precisamente neste contexto que surge o conceito de Clean Core. A ideia é simples e direta: limpar o núcleo do sistema, preservar o essencial e garantir que qualquer personalização ocorra de forma controlada, sem comprometer a estabilidade do conjunto. Trata-se, em suma, de fazer uma “limpeza digital” — eliminar os excessos e organizar o essencial para que a tecnologia volte a ser uma aliada, e não um obstáculo.
Durante demasiado tempo, a tendência foi acumular personalizações. Em muitos casos, a complexidade tecnológica deixou de ser sinónimo de sofisticação e passou a refletir apenas desorganização. O Clean Core representa o caminho oposto: apostar na simplicidade como fator de eficiência e na estabilidade como base da inovação.
Promovida pela SAP, esta filosofia defende que a personalização deve existir apenas quando acrescenta valor real ao negócio. É uma mudança de paradigma que distingue as empresas que se modernizam das que apenas reagem. As organizações que compreenderem esta lógica perceberão rapidamente que, para acompanhar o ritmo da transformação digital, é essencial fazer da tecnologia um facilitador e não um fardo.
Os benefícios de um sistema limpo são claros. As actualizações tornam-se mais simples e seguras, os custos de manutenção diminuem e a capacidade de inovação aumenta. Um sistema leve e bem estruturado permite integrar rapidamente novas ferramentas, como automação ou inteligência artificial, sem necessidade de reconstruir tudo de raiz. Em vez de corrigirem falhas antigas, as equipas podem concentrar-se no que realmente importa: criar valor e responder às mudanças do mercado.
Mas o Clean Core não é uma operação de limpeza total. O desafio está em encontrar o equilíbrio, remover o que trava o crescimento e preservar o que sustenta o negócio. Não se trata de apagar o passado, mas de reestruturar o futuro. Simplificar é uma decisão de gestão tão importante quanto investir em inovação.
Adoptar esta abordagem exige visão e disciplina. É necessário compreender o estado atual dos sistemas, identificar o que deve ser ajustado e traçar um plano de transição realista. Este processo é tanto técnico quanto cultural, pois implica mudar a forma como as organizações pensam e gerem a sua tecnologia. Chegou o momento de aceitar que, num mundo em constante mudança, a simplicidade é o verdadeiro sinal de maturidade digital.
Neste percurso, o papel dos parceiros especializados é essencial. O Clean Core não é um projeto pontual, e sim uma estratégia contínua de gestão tecnológica. Trabalhar com equipas que dominam o ecossistema SAP garante que o conceito se traduza em resultados práticos e não apenas em intenções.
O Clean Core é mais do que uma tendência de mercado: é um teste da capacidade das empresas de se reinventarem. As que souberem simplificar de forma inteligente estarão preparadas para inovar com consistência; as que insistirem em carregar o peso de sistemas antigos continuarão presas ao passado. No fim, a verdadeira transformação digital pertence a quem tem coragem de mudar.




