Cigarros electrónicos elevam risco de ataque cardíaco? Afinal, não é bem assim

Um estudo, publicado em Junho do ano passado pela revista científica da Associação Americana do Coração (JAHA, na sigla original), que afirmava que os cigarros electrónicos elevavam o risco de ataque cardíaco, foi desmentido. A JAHA tem dúvidas de que a conclusão da investigação seja confiável, avança a revista “Vice”. 

Ana Rita Rebelo

Um estudo, publicado em Junho do ano passado pela revista científica da Associação Americana do Coração (JAHA, na sigla original), que afirmava que os cigarros electrónicos elevavam o risco de ataque cardíaco, foi desmentido. A JAHA tem dúvidas de que a conclusão da investigação seja confiável, avança a revista “Vice”.

Todavia, já naquela altura, as conclusões do estudo não convenceram Brad Rodu, especialista em controlo de tabaco na Universidade de Louisville, que apontou que a análise de Stanton Glantz e Dharma Bhatta, da Universidade da Califórnia em São Francisco, tinha sido feita com base numa amostra de ex-fumadores que sofreram ataques cardíacos antes de terem optado pelo vaping.



Foi, entretanto, enviada uma carta à JAHA a formalizar apoio ao crítico. David Sweanor, professor adjunto de Direito na Universidade de Ottawa, que estudou a indústria global do tabaco durante décadas, está entre os subscritores. «Isto ajudou a alimentar a diminuição da confiança na academia e na ciência em geral», lamenta Sweanor.

Segundo a revista, a JAHA terá concedido uma semana para os investigadores confirmarem os resultados do estudo, mas o prazo não foi respeito. Glantz terá dito que o acesso ao conjunto de dados usados para o estudo tinha sido negado. No Twitter, o autor da investigação escreveu que a JAHA tinha cedido à «pressão dos interesses dos e-cig».

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS), recorde-se, disse em Janeiro que os cigarros electrónicos são prejudiciais à saúde dos que os fumam e dos que são expostos ao fumo. A OMS exigiu que o uso de cigarros electrónicos seja supervisionado e que seja proibida a venda a jovens e o uso em locais de trabalho confinados e em espaços públicos.

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