Um fenómeno alarmante tem deixado caçadores e residentes da Califórnia em alerta: a descoberta de porcos selvagens com carne e gordura de um azul fluorescente, um sinal potencial de envenenamento. Nos últimos meses, várias pessoas têm reportado a presença destes animais às autoridades locais, sem conseguir identificar a causa desta coloração incomum.
“Não estou a falar de um pouco de azul,” explicou Dan Burton, proprietário da Urban Trapping Wildlife Control em Salinas, ao Los Angeles Times. “Estou a falar de azul neon, azul como mirtilo.”
As autoridades emitiram alertas para que o público evite consumir a carne destes animais, devido à possibilidade de contaminação por venenos. Uma investigação preliminar identificou que a coloração azul intensa poderá ser causada por diphacinone, um rodenticida tingido, frequentemente usado por agricultores e empresas para controlar ratos, ratinhos e esquilos. O risco não se limita apenas aos porcos, podendo estender-se a outras espécies selvagens como veados, ursos e gansos.
Segundo Ryan Bourbour, coordenador de investigações sobre pesticidas do Departamento de Peixes e Vida Selvagem da Califórnia (CDFW), “os caçadores devem estar cientes de que a carne de animais selvagens, como porcos, veados, ursos e gansos, pode estar contaminada se o animal tiver sido exposto a rodenticidas. A exposição a rodenticidas é um problema para a fauna não-alvo em áreas onde estes químicos são aplicados próximas a habitats naturais.”
A diphacinone, agora altamente restrita na Califórnia, atua provocando hemorragias internas severas. Os especialistas alertam que predadores, incluindo humanos, que consumam carne de animais envenenados podem também adoecer, uma vez que os químicos permanecem ativos nos tecidos mesmo após a morte do animal, independentemente do processo de cozedura. Um estudo publicado em 2023 sublinha que, “geralmente, é necessária mais de uma ingestão para atingir uma dose tóxica”, mas a ingestão mesmo mínima pode causar efeitos como letargia.
Os locais da região de Monterey já reportam porcos com carne azul desde 2015. Fotografias da época mostram a gordura de porcos selvagens cortados com um tom “fluorescente azul”, enquanto o resto da carne parecia normal. Segundo um relato partilhado em redes sociais, “quando cortaram o porco, encontraram a gordura azul fluorescente espalhada por todo o corpo. O resto da carne e do sangue era normal, mas não temos qualquer pista sobre a causa desta coloração.”
Um estudo realizado em 2018 pelo CDFW revelou que cerca de 8,3% dos porcos selvagens testados apresentavam vestígios de rodenticidas anticoagulantes. Em consequência, a proibição do uso de diphacinone foi implementada em 2024 como parte de uma lei destinada a proteger a fauna selvagem da exposição a este veneno.
As autoridades locais continuam a aconselhar que qualquer porco ou outro animal com sinais de pigmentação azul não deve ser consumido e que os avistamentos devem ser reportados imediatamente às entidades competentes.













