Cientistas alertam para nova vaga do vírus até final do ano

Os portugueses já estavam a cumprir um isolamento voluntário antes do estado de emergência, mas continuam a descurar as recomendações para limitar o uso de máscaras a casos de infeção confirmada ou de proximidade de pessoas com sintomas suspeitos.

Executive Digest
Março 20, 2020
23:23

Os portugueses vão permanecer fechados em casa durante as próximas semanas para proteção de todos contra o ataque do novo coronavírus. Mas o vírus continuará a circular e só vai parar de se propagar quando a maioria das pessoas tiver sido infetada, demore o tempo que demorar. Por outras palavras, o confinamento terá de voltar a repetir-se, segundo especialistas ouvidos pelo ‘Expresso’.

De acordo com os responsáveis, como todos os vírus que emergem, o novo coronavírus só será estancado quando existir uma barreira de defesa: ou uma vacina, que ainda vai demorar meses a chegar, ou a imunidade de grupo, que só é alcançada depois de a maior parte das pessoas ter sido infetada. Dizem também os cientistas que se este coronavírus for semelhante aos coronavírus comuns, a capacidade humana de resistência não será para a vida, mas apenas para meio ano.

“Há um pressuposto que é extremamente importante que todos percebam: o vírus é endémico, está em todo o lado, e é praticamente impossível erradicá-lo. Mesmo com as medidas atuais, o vírus não vai desaparecer”, alerta o virologista do Instituto de Medicina Molecular (IMM), da Faculdade de Medicina de Lisboa, Pedro Simas, citada pelo ‘Expresso’. “O vírus não se torna mais fraco, as pessoas é que vão ganhando defesas. Mas não se consegue um nível elevado de imunidade com a contenção em vigor, pelo que vão surgir mais vagas da infeção”, garante.

“O que agora estamos a fazer é protelar a infeção, aplanando a curva [de contágio], nada mais. E ao atuarmos cedo, não significa que tudo acabe mais depressa. É precisamente o contrário: vamos manter o vírus e o medo da doença, e não sabemos por quanto tempo”, explica, sob anonimato, um dos peritos do Conselho Nacional de Saúde ao semanário.

O biomatemático Ruy Ribeiro corrobora: “Devemos olhar para o vírus como para um incêndio. Se não ficar bem extinto, vai haver um reacendimento. Por isso, poderemos ter de estar com medidas de contenção durante meses. É preciso começar a trabalhar em medidas intermitentes para os cenários das próximas vagas. A alternativa será fazer o isolamento agora em prática durante muitos mais meses além de maio.”

 

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