Numa conferência de imprensa na tarde desta quarta-feira, em Madrid, o Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, começou o discurso dizendo que “enfrentamos agora uma era de competição estratégica e vemos uma profunda parceria estratégica entre Moscovo e Pequim”. E apontou que “as políticas assertivas e coercivas” da China têm consequências para a segurança dos Aliados.
“A China está a fortalecer substancialmente as suas forças militares, incluindo armas nucleares, intimidando os seus vizinhos e ameaçando Taiwan”, referiu Stoltenberg, acrescentando que a potência asiática está “a monitorizar e a controlar os seus próprios cidadãos” e a “espalhar mentiras e desinformação russas”.
No entanto, garante que “a China não é nossa adversária, mas devemos estar cientes dos desafios sérios que representa”.
No final do primeiro dia de trabalhos em Madrid, o Secretário-Geral da NATO afirmou que “a nossa relação com a Rússia está no nível mais baixo desde a Guerra Fria, mas não há dúvida de que a responsabilidade é da Rússia”.
O responsável afirmou que a NATO procurou uma boa relação com esse país ao longo de décadas e que criou todas as condições e plataformas para uma cooperação saudável e efetiva – como o Ato Fundador Rússia-NATO e o Conselho NATO-Rússia – mas que Moscovo tem sistematicamente minado esses esforços de aproximação.
“Foi a Rússia quem se afastou desta tentativa para construir mais confiança, mais parceria”, garantiu Stoltenberg, explicando que a Rússia fez isso através de “um padrão de comportamento”, destacando a agressão russa contra a Geórgia em 2008 e a anexão da Crimeia de 2014.
“A guerra [na Ucrânia] não começou em fevereiro de 2022. Começou em 2014”, sentenciou, “ e o que vemos este ano é uma escalada de uma guerra que dura já há muito tempo”. Stoltenberg avançou que os serviços de inteligência da NATO sabiam que a Rússia se preparava para atacar a Ucrânia e que a organização encetou todos os esforços político-diplomáticos para tentar evitar esse desfecho, mas o Kremlin mostrou-se determinado em avançar com os seus planos para o país vizinho. “E o que previmos veio a confirmar-se”, afirmou.
“E isso tornou impossível para nós [NATO] continuar a ter o mesmo tipo de parceria na qual temos trabalhado durante tanto tempo”, disse Stoltenberg.
Sobre as ações da Rússia na vizinhança, o Secretário-Geral frisou que “não podemos ser ingénuos relativamente à Rússia” e acusou o Presidente Vladimir Putin de querer construir “uma esfera de influência para controlar o que os países vizinhos podem ou não podem fazer”.



