Centro de Competência: Portugal

Por Pedro Malato Branco, Financial Services senior manager na Glintt

Filipa Almeida

Por Pedro Malato Branco, Financial Services senior manager na Glintt

Mercedes Digital Delivery Hub, Google, Natixis, BNP Paribas, Credit Agricole, VW/VTXRM, Solutions 30, Farfech, Outsystems, Glintt, Solvay, Talkdesk, Amazon, Novabase, COLT, Siemens, DXC, Voltalia, Cleverti/Mantacore, Cap Gemini, Nokia Solutions Networks, Fujitsu, Altran, Bizdirect, Vodafone, Deloitte, Concentrix, Xerox, Cisco, Accenture, Thales, Claranet, Euronext, CGI, Huawei, Microsoft, Vestas, IBM, Pipedrive, Netjets, Panalpina, Teleperformance, Fintechs e Insurtechs. A lista poderia continuar, pois pretende ser ilustrativa e não exaustiva. Bancos, Big Techs, Consultoras, Marketplaces, Indústrias 4.0.



Com maior ou menor dimensão, todas multinacionais, muitas globais, estas empresas investiram muitos milhões de euros em Portugal e têm em comum o facto de terem instalado centros de competências tecnológicos e industriais no nosso País, criando milhares de postos de trabalho. Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Évora, Guarda, Covilhã, Coimbra, Proença-a-Nova, Ilha Terceira, são exemplos de regiões onde algumas destas empresas se instalaram, prestando serviços para várias regiões do globo. Depois da crise económica e do resgate financeiro, vivemos tempos de optimismo, com a quantidade e qualidade do investimento externo, com a criação de empregos e contributo para as exportações.

Os fatores de atractividade que potenciaram este cenário são vários e alguns mais óbvios que outros: o clima, a segurança, a capacidade de atrair e fixar estrangeiros, o espírito empreendedor, o hype da inovação, as competências linguísticas dos portugueses, os benefícios fiscais atribuídos pelo Estado e pelas autarquias, as infra-estruturas de telecomunicações, os excelentes parques de escritórios, a localização geográfica que antes era periférica mas, agora, na era digital, se tornou central, as competências tecnológicas e a qualidade da formação das nossas universidades nas áreas da gestão e tecnologia.

No entanto, é este último factor de atractividade que induz maior risco ao crescimento das grandes empresas e, no limite, à sustentabilidade de muitas das pequenas e médias empresas nacionais: a procura de recursos humanos especializados nas áreas tecnológicas mais desafiantes excede largamente a oferta e, em muitas áreas de competência, a oferta é praticamente inexistente. Muitas organizações não conseguem contratar, com impactos negativos na sua estratégia, nos seus planos de crescimento e nos seus clientes. Adicionalmente, os melhores talentos tornam-se alvos dos recrutadores especializados, potenciando uma elevada rotatividade de pessoas entre empresas e uma escalada nos salários, tornando a retenção de pessoas uma das tarefas mais difíceis nas empresas tecnológicas. Em algumas áreas, a escassez de recursos está, inclusivamente, a criar barreiras à adopção de determinadas tecnologias e à realização de projectos com base nas mesmas.

Neste contexto, e estando uma parte muito significativa do sucesso das organizações dependente das pessoas, torna-se imprescindível adaptar (ou adoptar) políticas de retenção que valorizem o individuo, planos de carreira ajustados à nova realidade tecnológica, organizacional e geracional, uma comunicação organizacional clara, objectiva e inclusiva e um ambiente de trabalho feliz, funcional e motivador. As novas gerações de profissionais preocupam-se em igual medida com salários e qualidade de vida, com oportunidades de crescimento e experiências que potenciem a diversidade e a aprendizagem. Segundo um estudo recente da Spark Agency sobre as aspirações dos Young Talent, 28,6% privilegia o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, 11,3% um pacote salarial elevado, 10,8% uma vida profissional empolgante e 10,3% trabalhar numa organização competitiva e desafiante intelectualmente. Os melhores talentos são inquietos por natureza, procuram novos desafios, projectos inovadores e experiências motivadoras. Reter talentos é um processo em que a valorização dos colaboradores é permanente, estratégica e deve ser alinhada com os objectivos das organizações.

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