Caso EDP: Sócrates vai recorrer da perda do estatuto de assistente

A defesa do ex-primeiro-ministro José Sócrates vai recorrer da decisão do juiz de instrução Carlos Alexandre de revogar o estatuto de assistente processual no Caso EDP, em que foi acusado o antigo ministro da Economia Manuel Pinho.

Executive Digest com Lusa

A defesa do ex-primeiro-ministro José Sócrates vai recorrer da decisão do juiz de instrução Carlos Alexandre de revogar o estatuto de assistente processual no Caso EDP, em que foi acusado o antigo ministro da Economia Manuel Pinho.

“É evidente que vamos recorrer. Deveria ter-se aguardado pelo incidente de recusa para ser tomada essa decisão”, afirmou à Lusa o advogado do antigo primeiro-ministro, Pedro Delille.

Em causa está a recente decisão do juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), adiantada pelo Observador na sexta-feira, de retirar o estatuto de assistente (colaborador da acusação) a José Sócrates, conforme tinha pedido o Ministério Público (MP), tendo por base um relatório de comunicações móveis entre o ex-primeiro-ministro e Manuel Pinho (ministro da Economia de Sócrates), que foi acusado de corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal.

No requerimento submetido ao juiz de instrução criminal, o MP alegou que, perante as informações obtidas a partir do telemóvel apreendido a Manuel Pinho nas buscas à residência em Braga onde está em prisão domiciliária, foi possível apurar a existência de 115 comunicações na rede social Whatsapp (com anexos, mensagens escritas e de voz) trocadas entre arguido e assistente neste processo entre 16 de março e 03 de novembro deste ano.

Pedro Delille justificou a decisão de recorrer da revogação do estatuto de assistente com o pedido de recusa do juiz Carlos Alexandre apresentado no passado dia 13, no qual assinalou “notórias incompatibilidades” do magistrado com José Sócrates.

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“O pedido do MP estava formulado ao senhor juiz Carlos Alexandre e nós pedimos a recusa do juiz. Tem notórias incompatibilidades com José Sócrates”, explicou então Pedro Delille.

A acusação do MP ao antigo ministro da Economia (entre 2005 e 2009, no primeiro governo de José Sócrates) no Caso EDP só veio a ser conhecida na tarde da última quinta-feira.

Além de Manuel Pinho foram ainda acusados neste processo a mulher do ex-ministro, Alexandra Pinho, em concurso efetivo e coautoria material com o marido de um crime de branqueamento de capitais e outro de fraude fiscal, e o antigo presidente do BES, Ricardo Salgado, por um crime de corrupção ativa para ato ilícito, um crime de corrupção ativa e outro de branqueamento de capitais.

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A matéria que relaciona Manuel Pinho e outros arguidos – entre os quais os antigos gestores António Mexia e Manso Neto – com a EDP e com os mecanismos denominados CMEC [Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual] é objeto de outro inquérito, originado por extração de certidão do processo agora acusado, segundo uma nota divulgada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

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