A carga fiscal sobre os residentes em Portugal voltou a aumentar em 2025, atingindo um novo máximo por habitante. Em média, cada português pagou 6.728,73 euros em impostos no último ano, mais 352 euros do que em 2024 e mais 2.310 euros face a 2016, numa década marcada por um crescimento quase ininterrupto da receita tributária. O valor representa uma subida de 5,5% em relação ao ano anterior e um salto acumulado de 52,2% desde 2016, com destaque para o peso do IRS neste agravamento.
Segundo o Jornal de Notícias, o aumento da receita fiscal traduziu-se numa arrecadação acima do previsto no Orçamento do Estado, permitindo ao Governo fechar 2025 com um desempenho orçamental superior ao estimado. Só no último ano, o Estado cobrou mais 99 milhões de euros em impostos do que o inicialmente orçamentado, contribuindo para um excedente superior ao antecipado.
A última década registou apenas uma exceção à tendência de subida: 2020, ano da pandemia, quando a receita fiscal caiu para 48,7 mil milhões de euros, após os 51,9 mil milhões registados em 2019. Desde então, o crescimento foi retomado, culminando em 2025 num novo máximo de impostos pagos por cada residente. A síntese de execução orçamental indica que o excedente em contabilidade pública atingiu 1.297,7 milhões de euros, mais 885,5 milhões do que em 2024, quando o saldo positivo tinha sido de 412,2 milhões. Em contabilidade nacional — a métrica relevante para Bruxelas — o excedente de 2024 correspondeu a 0,5% do PIB, e os dados agora conhecidos apontam para que a meta inicial de 0,3% do PIB em 2025 possa ser largamente ultrapassada, podendo o saldo aproximar-se dos três mil milhões de euros.
Por detrás deste resultado está sobretudo o crescimento da receita fiscal. Em 2025, a receita acumulada do subsetor Estado totalizou 64,8 mil milhões de euros, mais 4,2 mil milhões do que no ano anterior, o que representa um aumento homólogo de 6,9%. Mesmo excluindo o efeito extraordinário do pagamento de impostos diferidos em sede de IRC, o crescimento manteve-se robusto, nos 6,7%. Os impostos diretos registaram um acréscimo de 1.155,4 milhões de euros (+4,2%), impulsionados pelo IRS, cuja receita líquida subiu 1.565,2 milhões de euros (+9,2%). Este desempenho resultou não só da evolução dos rendimentos declarados, mas também de uma redução significativa dos reembolsos, que caíram 801,8 milhões de euros (-23,2%) face ao período homólogo, na sequência das alterações sucessivas às tabelas de retenção na fonte.
Do lado da despesa, as despesas com pessoal cresceram 8,2%, refletindo as atualizações salariais na Administração Pública, enquanto os encargos com juros da dívida recuaram 2%, devido à redução dos juros associados a outros instrumentos financeiros. Paralelamente, as contribuições para os sistemas de proteção social aumentaram 8,3%, com a Segurança Social a registar um crescimento de 8,9%. A receita não fiscal também evidenciou um avanço expressivo de 8,7%, sustentado pelo aumento das transferências (20,6%) e das taxas, multas e outras penalidades (10,2%), reforçando um cenário de consolidação orçamental assente, sobretudo, no aumento continuado da receita.














