ComprarCasa: Marcar a diferença

O tecido empresarial da mediação imobiliária aposta, vincadamente, no profissionalismo, na formação e na diferenciação, terá de saber apostar no Imobiliário “Verde” e na valorização do parque habitacional que seja eficiente e sustentável. Em entrevista à Executive Digest, Luís Mário Nunes, director-geral da Rede ComprarCasa revela os principais desafios da empresa para o futuro.

Como é que avalia o desempenho da ComprarCasa em 2020?

Depois de anos de recuperação da economia portuguesa e, em particular, do sector imobiliário, 2020 surge-nos como um ano atípico e sem qualquer tipo de comparação face ao que já tínhamos vivido. O mercado vinha de uma importante recuperação desde o ano 2014. Em cinco anos (de 2014 a 2019) o número de imóveis transaccionados, simplesmente, disparou. Um crescimento superior a 115% e em que 2019 já se comportou como um ano de estabilização registando apenas um crescimento de 1,6% face ao ano imediatamente anterior. Era expectável!

Depois de uma recuperação tão elevada, consideramos importante que o mercado começasse a demonstrar capacidade e indicadores de estabilização. Aconteceu em 2019 e seria previsível algo similar no ano 2020. Todavia, o ano iniciou-se com uma forte dinâmica. Nos dois primeiros meses, o comportamento do mercado foi além das expectativas.

Entretanto, surge a crise sanitária, seguida de pandemia que obrigou o mercado e o próprio país a confinar e, no caso concreto do sector da mediação imobiliária, a encerrar as portas. Estivemos sete semanas de portas fechadas. Mesmo assim, o ano 2020 acabou por ser um óptimo ano com uma pequena redução de 5% no número de transacções, mas com um crescimento de 2% do volume transaccionado. Transaccionaram-se cerca de 172 mil imóveis, com um total de mais de 26 mil milhões de euros, valor record desde o período de sub-prime. Na nossa realidade, confirmou-se a mesma tendência. O ano arrancou muitíssimo bem e, após e durante pandemia, terminámos o ano a crescer 7% no volume intermediado, com os centros urbanos a terem primazia, pela sua tradicional apetência, mas com as zonas limítrofes, como zona Oeste, Alentejo a demonstrar uma interessante dinâmica. Como tradicionalmente, os nossos principais mercados foram Ponta Delgada, Évora e Guimarães, facto demonstrativo da deslocalização que já se sente no perfil do consumidor.

Devido à pandemia, como analisa o actual momento do negócio?

Consideramos que o mercado estará, gradualmente, a entrar numa estabilidade, numa nova normalidade. Continuamos a registar, em regra, uma escassez de oferta face à procura, aspecto que estará na base da explicação para a sustentabilidade dos preços que temos registado. Pensamos que os preços de transacção se manterão estáveis, reduzindo-se, mas não cremos que muito, os valores de “asking price”. A grande questão que o mercado enfrenta assentará no impacto das moratórias. No final do mês passado, terminaram as moratórias privadas mas públicas (de maior volume) ainda permanecerão por mais seis meses. Mesmo aquelas que já têm apoio parlamentar para que se renovem.

E as vossas pespectivas para 2021?

Estamos conscientes do ano desafiante que enfrentamos, diria mesmo… dos dois anos desafiantes que temos pela frente. As nossas perspectivas levam-nos a acreditar num ano muito similar ao anterior. Se olharmos para os dados do Banco de Portugal já conhecidos, verificamos que nos dois primeiros meses do ano o volume de crédito habitação (variável directamente relacionada com o mercado imobiliário) cresceu face ao período homólogo. Esta realidade ainda é mais significativa se nos recordarmos que estamos a comparar dois meses em confinamento (em 2021) com dois meses em que ainda não vivíamos perante uma pandemia (em 2020).

Como é que o sector imobiliário poderá dar a volta à situação que estamos a viver?

No caso da Rede ComprarCasa fomos muito céleres a desenvolver ferramentas digitais de aproximação comercial, plataformas que possibilitam, em última análise, que toda a cadeia de valor do imobiliário posso ser concretizada digitalmente com total garantia de segurança para as partes envolvidas.

Desenvolvemos uma ferramenta de Assinatura digital com Terceiro de Confiança que, quando o sistema jurídico português o possibilite, permitirá que a própria concretização da Escritura pública de transmissão de propriedade possa ser concretizada à distância.

O sector tem que criar as dinâmicas que consigam dar resposta às actuais necessidades do mercado. O desafio das Rendas Seguras e Rendas Acessíveis que os principais Centros Urbanos, através do poder local, estão a desenvolver são outras importantes ferramentas para resolver todos os novos desafios que vão surgindo.

Quais as linhas estratégicas que orientam a sua equipa?

Temos importantes desafios para os próximos tempos. Todavia, considero que o nosso grande eixo estratégico assenta na dinamização de um mercado imobiliário sustentável e energeticamente eficiente.

Em 2021 e seguintes, o caminho assentará nestes critérios e teremos de saber acompanhar este desafio. O tecido empresarial da mediação imobiliária aposta, vincadamente, no profissionalismo, na formação e na diferenciação, terá de saber apostar no Imobiliário “Verde” e na valorização do parque habitacional que seja eficiente e sustentável.

A Rede ComprarCasa está atenta a esta realidade e saberá marcar a diferença neste novo desafio.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Imobiliário”, publicado na edição de Abril (n.º 181) da Executive Digest.

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