Cabaz alimentar bate novo máximo: cereais e pão disparam mais de 10% na última semana

Na curgete, o preço por quilo já subiu 46 cêntimos (mais 24%), para 2,35 euros por quilo. Na dourada, o aumento foi de 1,79 euros por quilo (mais 23 por cento)

Executive Digest com DECO PROTeste

O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste desde 2022 continua em rota ascendente e esta semana atingiu novamente o valor mais elevado de sempre. A curgete, a dourada e o peixe-espada-preto estão entre os produtos cujo preço mais subiu desde janeiro, com aumentos acima dos 20 por cento.

Desde que o ano começou, os preços da curgete, da dourada e do peixe-espada-preto foram os que mais aumentaram, registando já subidas acima dos 20% entre 7 de janeiro e 18 de março.



Na curgete, o preço por quilo já subiu 46 cêntimos (mais 24%), para 2,35 euros por quilo. Na dourada, o aumento foi de 1,79 euros por quilo (mais 23 por cento). Um quilo desta variedade de peixe custa agora 9,48 euros. Já no peixe-espada-preto, a subida foi de 2,06 euros por quilo (mais 22%), para 11,23 euros por quilo.

No conjunto, os 63 bens alimentares monitorizados pela DECO PROteste também nunca tinham estado tão caros. Esta semana, o cabaz alimentar voltou a registar uma ligeira subida de 19 cêntimos (mais 0,07%), para 254,32 euros, um valor que nunca tinha atingido desde janeiro de 2022. Desde o início do ano, já aumentou 12,49 euros (mais 5,16 por cento). Há pouco mais de quatro anos, para comprar exatamente os mesmos produtos, os consumidores gastavam menos 66,62 euros (menos 35,49 por cento).

Com o conflito no Médio Oriente, é possível que os preços dos bens alimentares possam vir a subir ainda mais nos próximos meses. A guerra no Médio Oriente já provocou aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, e os impactos podem começar a fazer-se sentir nas cadeias de abastecimento, tal como aconteceu com a crise energética provocada pelo início da guerra na Ucrânia.

Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis, poderão ainda somar-se os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, se o conflito na região se prolongar, os preços destes produtos podem vir a aumentar significativamente, o que resultará em bens alimentares mais caros.

Como é calculado o preço do cabaz?

Nos últimos quatro anos, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.

Quais os produtos que mais aumentaram?

Na última semana, entre 11 e 18 de março, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram os cereais de fibra (mais 28%), o pão de forma sem côdea (mais 13%) e os cereais integrais (mais 11 por cento).

Por outro lado, se compararmos os preços desta semana com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, a maior subida percentual de preço verificou-se, além da curgete, da dourada e do peixe-espada-preto, em produtos como a couve-coração (mais 21%), o esparguete (mais 19%) e o arroz carolino (mais 18 por cento).

Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço deste cabaz, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 129%), dos ovos (mais 84%) e da couve-coração (mais 79 por cento).

Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?

A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal em 2022.

Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.

Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.

O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.

Taxa de inflação sobe em fevereiro

Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Já em fevereiro de 2026, de acordo com as estimativas do INE, deverá ter acelerado de 1,9%, em janeiro, para 2,1 por cento.

Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.

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