A pouco mais de seis dias das eleições presidenciais, António José Seguro mantém a liderança nas intenções de voto, mas tem perdido terreno de forma consistente. A mais recente sondagem diária da Pitagórica, realizada para CNN Portugal, TVI, JN e TSF, revela uma queda acentuada do socialista e uma subida inédita do voto em branco e nulo, que poderá favorecer André Ventura.
Seguro perde pontos apesar de ganhar o debate
Desde o debate televisivo realizado a 27 de janeiro, Seguro perdeu cerca de 8,3 pontos percentuais, caindo de 61,9% para 53,6% nas intenções de voto. Ao mesmo tempo, Ventura mantém-se relativamente estável, subindo ligeiramente de 26,2% para 27,9%. A grande diferença surge nos votos em branco ou nulos, que praticamente duplicaram, passando de 4,9% para 9,9%. O nível de indecisos também aumentou, de 7% para 8,6%.
Apesar desta queda, mais de 40% dos inquiridos consideram que Seguro foi o vencedor do debate, enquanto apenas 16% atribuem a vitória a Ventura. Cerca de 29% não assistiram ao debate.
Eleitores de Cotrim e Mendes mais inclinados a votar em branco
A análise por voto anterior mostra que Ventura depende quase exclusivamente do eleitorado que apoiou o Chega nas legislativas de 2025, enquanto Seguro recebe a maioria dos votos do PS e mais de metade dos que votaram na AD. No entanto, grande parte dos indecisos e dos votos em branco/nulos provém de eleitores que, na primeira volta, votaram em João Cotrim de Figueiredo e em Luís Marques Mendes. Entre os apoiantes de Cotrim de Figueiredo, 37,7% pretendem votar em Seguro, 15,8% em Ventura, 28,1% em branco/nulo e 18,4% estão indecisos.
Firmeza de voto e rejeição dos candidatos
A segunda volta mostra uma forte firmeza de voto em ambos os candidatos. Entre os eleitores de Seguro, 96,5% dizem que não mudarão de opinião, enquanto entre os de Ventura, 89,4% estão convictos da escolha. No entanto, o índice de rejeição de Ventura continua elevado: 67,4% afirmam que jamais votariam no líder do Chega, contra 21,4% para Seguro.
Um terço dos eleitores de Seguro afirma que votará no candidato para impedir a vitória de Ventura, enquanto um quinto dos eleitores de Ventura declara votar no seu candidato para impedir Seguro.
Perfil do eleitorado e áreas de força
Seguro lidera entre as mulheres (59,1%), nos maiores de 55 anos (59,4%), no Norte (56,5%) e nas classes mais altas (59,7%). Apresenta menos apoio entre os 35 e 54 anos (47,7%) e nas regiões Sul e ilhas. Ventura, por outro lado, é mais forte entre homens (32,7%), na faixa dos 35 aos 54 anos, no Sul e nas ilhas, e mostra menor expressão entre mulheres (23,6%), eleitores acima dos 55 anos e nas classes mais altas.
Apesar da queda nas intenções de voto, 90% dos inquiridos acreditam que Seguro vencerá as eleições, mantendo-se estável face aos dias anteriores. Ventura continua a ser visto como menos independente dos partidos políticos e com menor potencial de voto, que se fixa em 32,6%, resultado da soma entre os que afirmam votar “de certeza” (18,8%) e os que admitiriam votar (13,8%).
Transferência de votos da primeira volta
Seguro beneficia sobretudo dos votos dos candidatos que ficaram fora da segunda volta. Entre eleitores de Gouveia e Melo, 61,5% pretendem agora votar no socialista; entre os de Marques Mendes, 55,1%. Ventura obtém apenas 15,8% do eleitorado de Cotrim de Figueiredo, que mostra maior propensão para o voto em branco ou indeciso.
Conclusão
A uma semana da segunda volta, Seguro mantém a liderança sólida, mas a subida inédita do voto em branco e nulo — quase 10% — representa um ponto de atenção. Em eleições presidenciais, estes votos têm efeito similar à abstenção e poderão beneficiar Ventura, caso a tendência se confirme até ao dia 8 de fevereiro. A firmeza de voto e a perceção de vitória continuam a favorecer Seguro, mas o panorama mostra-se mais apertado e com espaço para surpresas nos últimos dias de campanha.














