A liderança de Boris Johnson no Reino Unido está em perigo, uma vez que já estão em marcha planos de contingência para eleger um novo líder e assim substituir o primeiro-ministro.
Tory source says 1922 Committee drawing up contingency plans for leadership hustings to start as soon as Monday. Would allow time to complete run-off before recess, with Tory members voting on the final two in August. But would require the PM to be gone this week…
— Jason Groves (@JasonGroves1) July 6, 2022
“Fonte conservadora diz que o Comité de 1922 está a elaborar planos de contingência para a liderança (do governo britânico) a começar na segunda-feira”, escreve um jornalista do ‘Daily Mail’.
Segundo o responsável, está a ser preparado um calendário provisório para uma eleição interna, o que permitiria concluir antes das férias de verão a primeira fase da corrida ao cargo, em que ficam apenas dois candidatos.
“Mas isso obrigaria o primeiro-ministro a sair esta semana”, sublinhou na mesma publicação. Depois cabe a todos os militantes do Partido Conservador eleger o o vencedor dos dois mais votados.
Sob as regras atuais do partido, Boris Johnson está a salvo de outro voto de confiança até junho de 2023, depois de ter sobrevivido a um no início de junho. Mas o comité deve mudar as regras hoje para realizar um segundo voto de confiança.
Recorde-se que o primeiro-ministro britânico está envolto em polémica, depois de ter nomeado Chris Pincher para líder da bancada parlamentar, uma vez que este é suspeito de abusos sexuais.
Em consequência desta situação, já mais de 20 membros do Governo apresentaram a sua demissão, entre ontem e hoje, de entre os quais se destacam oito ministros: saúde, finanças, crianças e família, escolas, tesouro, justiça, ambiente e habitação.
O último a renunciar foi Stewart Andrew, ministro da Habitação. “Chega um momento em que é preciso olhar para a nossa própria integridade pessoal, e esse momento é agora”, sublinhou.
Antes já Jo Churchill tinha deixado o cargo de ministra do Meio Ambiente, dizendo na sua carta de demissão que a “abordagem egoísta” do primeiro-ministro tinha as suas “limitações” e que “o país e o partido mereciam melhor”.
Também Victoria Atkins, ministra da Justiça renunciou hoje. “Valores como integridade, decência, respeito e profissionalismo devem ser importantes para todos nós. Tenho observado com crescente preocupação a forma como esses valores foram afetados”, disse na carta de demissão.
Da mesma forma, John Glen, secretário económico do Tesouro, demitiu-se hoje. Numa publicação nas redes sociais, o responsável disse que o tratamento do escândalo de Chris Pincher e o “mau julgamento” mostrado por Boris Johnson “tornaram impossível conciliar o serviço contínuo com a minha consciência”.
Horas antes, Robin Walker, ministro das escolas também apresentou a demissão. “Infelizmente, os eventos recentes deixaram claro que o nosso grande partido, pelo qual fiz campanha durante toda a minha vida adulta, se distraiu das suas missões centrais”, lê-se na carta enviada a Boris.
Antes disso, também no dia de hoje, o ministro para a Família e Crianças apresentou a sua renúncia. Will Quince confirmou que iria deixar o seu cargo, dois dias após ter defendido publicamente Johnson na televisão, ao dizer que este não tinha conhecimento das acusações de assédio sexual.
“Com grande tristeza e pesar, esta manhã apresentei a minha renúncia ao primeiro-ministro, depois de aceitar e repetir garantias na segunda-feira à imprensa que agora foram consideradas imprecisas”, sublinhou, desejando “boa sorte ao meu sucessor”.
São assim oito demissões de ministros em menos de 24 horas, numa vaga de saídas que foi desencadeada na terça-feira quando o ministro da Saúde, Sajid Javid, deixou o gabinete desgostoso com o tratamento que o governo britânico estava a dar ao caso.
Minutos depois, o chanceler Rishi Sunak apresentou também ele a sua demissão, em dois movimentos que ameaçavam derrubar o governo de Boris Johnson por completo.




