Os Estados Unidos esperam que Espanha concorde em receber refugiados do continente americano, numa altura em que a sua fronteira sul com o México vive um aumento histórico na chegada de imigrantes à procura de asilo, avança o ‘Axios’.
A administração de Joe Biden quer que o governo de Pedro Sánchez aceite a deslocalização dos refugiados e que a decisão seja anunciada na próxima semana na Cimeira das Américas, a reunião dos chefes de governo do continente em Los Angeles.
Espanha foi convidada no mês passado a participar no encontro, cuja preparação está a ser abalada pelo não convite dos líderes de Cuba, Venezuela e Nicarágua , e que foi respondida com ameaças de veto por países com governos de esquerda como México e Argentina.
Um dos temas prioritários do encontro para os EUA é tratar da gestão dos fluxos de imigrantes indocumentados na região.
Os planos de envio de refugiados para Espanha constam de documentos internos aos quais a imprensa norte-americana teve acesso e as negociações também foram reconhecidas à ‘Reuters’ por fontes anónimas do governo norte-americano.
Segundo os mesmos documentos, o número de refugiados que chegariam à Espanha seria “modesto”, mas “com importância simbólica”. Não há, para já, indicações sobre se esses refugiados pertencerão a países específicos do continente.
Dentro desses esforços, os Estados Unidos também procuram o Canadá para aumentar o número de refugiados que atualmente aceita, além de um novo programa de trabalho para imigrantes do Haiti, país de onde disparou o número de emigrantes para o território americano nos últimos anos.
No caso de Espanha, a negociação também inclui o pedido para que o governo Sánchez “duplique ou triplique o número de trabalhadores temporários da América Central que recebe atualmente, através de um programa de trabalho de imigração”, adianta o ‘Axios’.
Na semana passada, os Estados Unidos e a Espanha inauguraram um grupo de trabalho sobre a América Central, liderado pelo secretário de Estado para a Ibero-América e o Caribe, Juan Fernández Grigo, e pelo subsecretário adjunto do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado da EUA, Emily Mendrala.
Entre as questões discutidas estão “os desafios colocados pela deslocação forçada e movimentos migratórios ilegais na e da América Central”, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha.



