Benefícios da tecnologia head-up postos em causa

A tecnologia é cada vez mais uma característica intrínseca dos automóveis actuais com o objectivo de facilitar a utilização dos passageiros e, sobretudo, do condutor. Uma das invenções mais recentes que surgiu com a premissa de facilitar a prática da condução foi a do head-up display, a qual se destaca por projectar as informações mais importantes numa pequena lâmina situada no tablier acima do volante. Derivada do universo da aeronáutica, tendo sido introduzida para auxiliar os pilotos dos aviões a jacto (vulgo caças), a tecnologia head-up display tem vindo a disseminar-se por diversos construtores automóveis, como a Peugeot, BMW…

Pedro Junceiro

head-up

A tecnologia é cada vez mais uma característica intrínseca dos automóveis actuais com o objectivo de facilitar a utilização dos passageiros e, sobretudo, do condutor. Uma das invenções mais recentes que surgiu com a premissa de facilitar a prática da condução foi a do head-up display, a qual se destaca por projectar as informações mais importantes numa pequena lâmina situada no tablier acima do volante.



Derivada do universo da aeronáutica, tendo sido introduzida para auxiliar os pilotos dos aviões a jacto (vulgo caças), a tecnologia head-up display tem vindo a disseminar-se por diversos construtores automóveis, como a Peugeot, BMW ou MINI. Outros sistemas, mais avançados e em número mais reduzido, projectam essas mesmas informações no próprio pára-brisas, disponibilizando dados como velocidade, indicações do GPS e sistemas de segurança.

O objectivo é reduzir a quantidade de vezes que o condutor é obrigado a desviar o olhar da estrada, mas é precisamente essa abundância de informações colocadas à frente do condutor que, segundo um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, pode ser mais prejudicial do que favorável para a atenção do condutor.

De acordo com esse estudo, essas informações colocadas no campo de visão do condutor acabam por dispersar o seu foco de atenção entre a estrada e a análise dos mesmos, dificultando o reconhecimento de situações de perigo.

“Os condutores não só têm que se concentrar no que se passa nas estradas e em seu redor, como sempre fizeram, mas também têm que prestar atenção a qualquer aviso que apareça em frente deles no pára-brisas”, refere Ian Spence, membro do Departamento de Psicologia daquela instituição, que no seu estudo recorreu a um grupo de voluntários avaliados através de uma série de impulsos visuais em forma de pequenos pontos sobre os quais tinham que comentar a seguir.

De forma aleatória, além dos pontos, aparecia um quadrado negro que servia para comprovar a forma como os impulsos visuais alteravam a capacidade de atenção a outros elementos que não apenas aos círculos. Nessas provas com os voluntários, as conclusões demonstram que quanta mais informação era apresentada, mais os elementos de controlo – os quadrados negros – eram ignorados.

Ou seja, graças à presença constante e numerosa de diversos estímulos, os condutores perdiam a capacidade de distinguir entre um perigo e os dados apresentados no sistema head-up.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.