O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta segunda-feira, em entrevista à rádio “TSF”, que «não temos de acrescentar medidas de restrição económica».
No entender de António Costa, esta crise «precisa de incentivos à procura para poder retomar a produção». Ou seja, «o contrário das medidas de austeridade».
O chefe do Governo voltou a insistir que a situação financeira do país não é a mesma de há uns anos. Ainda assim, isso não significa que possamos «passar um cheque em branco para despesas». Já a «decisão política de cortar rendimentos» não existe, salvaguardou Costa.
Sobre uma eventual necessidade de se chegar a um bilião de euros nos apoios da União Europa, o primeiro-ministro não confirmou. Porém, defende que é necessário criar condições «para que não se acentuem assimetrias» que invalidem a «retoma do mercado interno e manutenção da zona euro». Costa admite, no entanto, que existe «uma pequena minoria de bloqueio», mas que estão a ser feitos esforços para que seja alcançado um consenso.
«A estimativa tem sido de que menos de um bilião é insuficiente para as necessidades», acrescentou, lembrando que a retoma nacional depende do que «os outros cumprem». Para Costa, é preciso um «instinto de sobrevivência da União Europeia».
Questionado sobre o programa social de emergência, Costa não conseguiu indicar o valor que irá ser investido, mas informou que irá começar a reunir com os partidos. «Um programa de emergência só com o Orçamento de Estado tem uma dimensão. Com o Portugal 2020 tem outra», ressalvou, destacando ainda que com os apoios europeus tem outra. «Já percebemos que na União Europeia não ficaremos pelo nível da fisga.»
António Costa lembrou que a crise veio alterar «tudo o que se tinha previsto». Assim, nos próximos tempos, «a protecção dos rendimentos é essencial» para «evitar uma dinâmica repressiva na economia», salientou.
Sobre o Orçamento suplementar, gostaria de ver o documento aprovado por unanimidade, mas que não tem essa ilusão.
Portugal regista, neste momento, 1.218 mortes relacionadas com a Covid-19 e 29.036 infectados, segundo o mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.
O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 313.500 mortos e infectou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
*Notícia actualizada às 10:28




