Aumento dos combustíveis já se reflete nos preços dos serviços — e mais subidas estão a caminho, alerta o setor

Inquérito da Fixando, realizado junto de 1.465 profissionais, revela que cerca de 80% já antecipam um aumento dos custos de trabalho. Destes, 44% esperam um agravamento significativo, enquanto 36% apontam para um impacto mais moderado, confirmando uma tendência transversal ao setor

Francisco Laranjeira

A subida recente dos preços dos combustíveis está a começar a ter efeitos concretos na economia real, com impacto direto no setor dos serviços — e sinais crescentes de que os consumidores poderão ser os próximos a sentir a pressão.

Um inquérito da Fixando, realizado junto de 1.465 profissionais, revela que cerca de 80% já antecipam um aumento dos custos de trabalho. Destes, 44% esperam um agravamento significativo, enquanto 36% apontam para um impacto mais moderado, confirmando uma tendência transversal ao setor.

O principal fator de pressão são os custos de deslocação, que afetam diretamente a operação. Mais de 90% dos profissionais admitem impacto, sendo que metade classifica esse efeito como “muito significativo”. Num mercado altamente dependente da mobilidade, a escalada dos combustíveis traduz-se rapidamente em custos acrescidos.

O reflexo nos preços já começou. Cerca de 14% dos profissionais indicam que já aumentaram os valores cobrados, enquanto 38% admitem fazê-lo nas próximas semanas. Ainda assim, 39% mantêm, para já, os preços, numa tentativa de evitar perda de competitividade num contexto de elevada sensibilidade à procura.

Para conter o impacto, os profissionais estão a ajustar a operação: concentração de serviços por zonas geográficas, redução da área de atuação e priorização de trabalhos mais próximos são algumas das estratégias adotadas para limitar os custos.

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“Há um impacto imediato e transversal no setor”, sublinha Alice Nunes, diretora de novos negócios da Fixando, alertando para a necessidade de ajustar preços para garantir a sustentabilidade das atividades, ao mesmo tempo que cresce a preocupação com a reação dos clientes.

Do lado da procura, os sinais são claros. Mais de metade dos profissionais (51%) acredita que os clientes poderão adiar serviços, enquanto 31% admitem essa possibilidade — um indicador de que a subida de preços poderá traduzir-se numa desaceleração da atividade.

Se a tendência de subida dos combustíveis persistir, os profissionais estimam que os custos de deslocação possam aumentar até 10% ou mais, pressionando ainda mais os preços finais e reforçando o risco de um efeito em cadeia no setor dos serviços.

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