A guerra às drogas do presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça trazer para a Europa ainda mais narcóticos ilegais, avisou esta sexta-feira um especialista alemão, citado pelo jornal ‘POLITICO’.
O Governo americano lançou, nas últimas semanas, ataques aéreos contra o que afirma serem traficantes de drogas sul-americanos no Caribe e no Oceano Pacífico.
“É improvável que uma repressão mais dura dos EUA aos cartéis de drogas na Colômbia e na Venezuela alivie a situação na Europa ou na Alemanha — pelo contrário: a experiência mostra que as redes criminosas respondem com desvios, novos países de trânsito e, muitas vezes, ‘substâncias substitutas’ ainda mais potentes”, indicou o comissário alemão de Drogas e Dependência Química e virologista Hendrik Streeck ao tabloide alemão ‘BILD’.
“Para a Alemanha, isso significaria possíveis mudanças nas rotas marítimas e terrestres, bem como na distribuição digital. Já temos estruturas altamente dinâmicas de crime organizado — especialmente online. A ‘guerra às drogas’ anunciada pelo Governo dos EUA pode intensificar ainda mais isso”, acrescentou.
Streeck, que defendeu uma revogação parcial da legalização da cannabis na Alemanha, descreveu a situação dos narcóticos no país como uma crise “iminente”, alertando que os preços da cocaína estão a cair, que os consumidores estão a ficar mais jovens e que as mortes relacionadas às drogas entre pessoas com menos de 30 anos aumentariam drasticamente.
De acordo com a Agência Antidrogas da UE, a disponibilidade de cocaína continua a aumentar em toda a Europa. Em 2023, pelo sétimo ano consecutivo, os países-membros da UE relataram uma quantidade recorde de cocaína apreendida.
O Governo dos EUA expandiu a sua campanha contra traficantes de drogas esta semana. Na passada terça-feira, forças americanas lançaram um ataque a um alegado navio de contrabando na costa oeste da Colômbia, matando duas pessoas. O ataque agravou as tensões entre os dois países.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou o ataque letal num post nas redes sociais, garantindo que as operações iriam continuar “dia após dia”.














