Assembleia Municipal decide hoje orçamento de Lisboa: PS vota contra e Chega indeciso na votação

Documento, já aprovado pela Câmara Municipal, prevê um aumento significativo do investimento, que sobe para 410 milhões de euros, mais 97 milhões do que no ano anterior

Executive Digest
Janeiro 13, 2026
7:45

A Assembleia Municipal de Lisboa vota esta terça-feira o Orçamento da cidade para 2026, no valor de 1.345 milhões de euros, num contexto de forte divisão política e com a liderança PSD/CDS-PP/IL a governar sem maioria absoluta.

O documento, já aprovado pela Câmara Municipal, prevê um aumento significativo do investimento, que sobe para 410 milhões de euros, mais 97 milhões do que no ano anterior, permitindo reforçar obras, equipamentos e respostas consideradas prioritárias para os lisboetas. Para o presidente da câmara, Carlos Moedas, a aprovação do orçamento é essencial para garantir estabilidade na gestão da cidade e enfrentar os “muitos desafios” de Lisboa.

O executivo destaca o crescimento do investimento a um ritmo quatro vezes superior ao da despesa corrente, apontando como prioridades a habitação, os equipamentos sociais, a mobilidade urbana, a requalificação do espaço público, a educação, a cultura e a segurança.

Habitação, mobilidade e equipamentos no centro do investimento

Na área da habitação, o investimento financiado por meios municipais aumenta 16 milhões de euros, com a entrega prevista de 102 casas de renda acessível já em 2026, sobretudo para jovens nos bairros históricos. Ao longo do mandato, o município prevê disponibilizar cerca de 700 habitações, além da criação de novos bairros de habitação acessível e parques verdes em mais 250 hectares da cidade.

O orçamento prevê ainda o reforço dos equipamentos sociais, com a abertura de três novas creches, mais centros de saúde, centros de acolhimento e um aumento dos apoios sociais no valor de 3,7 milhões de euros.

Na mobilidade urbana, estão previstos os projetos de duas novas ligações intermunicipais, Lisboa–Loures e Lisboa–Oeiras, a aquisição de 98 novos autocarros, num investimento de 35 milhões de euros, cinco milhões para a expansão da rede GIRA e a implementação de novas ciclovias.

A educação contará com 38 milhões de euros para a requalificação de escolas, com quatro estabelecimentos em obra já em 2026 e dez projetos de arquitetura em curso. Na cultura, o investimento direto ascende a 41 milhões de euros, com reforço da requalificação do património e dos apoios à programação cultural.

Na área da segurança, o município prevê a instalação de 63 novas câmaras de videoproteção e a aquisição de seis novas viaturas de proteção civil.

PS vota contra, Chega mantém posição em aberto

A votação na Assembleia Municipal acontece depois de o PS ter anunciado que votará contra a proposta orçamental, considerando que representa uma “opção política errada” para a cidade. Os socialistas criticam o que consideram ser uma redução do investimento estrutural, apontando para cortes significativos na habitação, atrasos na escola pública, na saúde e nos equipamentos sociais, além da falta de visão estratégica para uma capital europeia.

Já o Chega mantém o sentido de voto em aberto, admitindo aspetos positivos no orçamento, como a aposta em creches, escolas e na melhoria dos processos urbanísticos, mas criticando opções como a estratégia ambiental, nomeadamente a meta de tornar a frota da Carris totalmente verde até 2030. O partido afirma que a decisão final dependerá da inclusão das suas propostas.

O orçamento agora em votação é o primeiro do atual mandato autárquico, iniciado em 2025, com Carlos Moedas reeleito e a coligação PSD/CDS-PP/IL a governar Lisboa sem maioria absoluta. A aprovação em Assembleia Municipal permitirá a entrada em vigor do documento ainda em janeiro de 2026.

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