A Assembleia Municipal de Lisboa vota esta terça-feira o Orçamento da cidade para 2026, no valor de 1.345 milhões de euros, num contexto de forte divisão política e com a liderança PSD/CDS-PP/IL a governar sem maioria absoluta.
O documento, já aprovado pela Câmara Municipal, prevê um aumento significativo do investimento, que sobe para 410 milhões de euros, mais 97 milhões do que no ano anterior, permitindo reforçar obras, equipamentos e respostas consideradas prioritárias para os lisboetas. Para o presidente da câmara, Carlos Moedas, a aprovação do orçamento é essencial para garantir estabilidade na gestão da cidade e enfrentar os “muitos desafios” de Lisboa.
O executivo destaca o crescimento do investimento a um ritmo quatro vezes superior ao da despesa corrente, apontando como prioridades a habitação, os equipamentos sociais, a mobilidade urbana, a requalificação do espaço público, a educação, a cultura e a segurança.
Habitação, mobilidade e equipamentos no centro do investimento
Na área da habitação, o investimento financiado por meios municipais aumenta 16 milhões de euros, com a entrega prevista de 102 casas de renda acessível já em 2026, sobretudo para jovens nos bairros históricos. Ao longo do mandato, o município prevê disponibilizar cerca de 700 habitações, além da criação de novos bairros de habitação acessível e parques verdes em mais 250 hectares da cidade.
O orçamento prevê ainda o reforço dos equipamentos sociais, com a abertura de três novas creches, mais centros de saúde, centros de acolhimento e um aumento dos apoios sociais no valor de 3,7 milhões de euros.
Na mobilidade urbana, estão previstos os projetos de duas novas ligações intermunicipais, Lisboa–Loures e Lisboa–Oeiras, a aquisição de 98 novos autocarros, num investimento de 35 milhões de euros, cinco milhões para a expansão da rede GIRA e a implementação de novas ciclovias.
A educação contará com 38 milhões de euros para a requalificação de escolas, com quatro estabelecimentos em obra já em 2026 e dez projetos de arquitetura em curso. Na cultura, o investimento direto ascende a 41 milhões de euros, com reforço da requalificação do património e dos apoios à programação cultural.
Na área da segurança, o município prevê a instalação de 63 novas câmaras de videoproteção e a aquisição de seis novas viaturas de proteção civil.
PS vota contra, Chega mantém posição em aberto
A votação na Assembleia Municipal acontece depois de o PS ter anunciado que votará contra a proposta orçamental, considerando que representa uma “opção política errada” para a cidade. Os socialistas criticam o que consideram ser uma redução do investimento estrutural, apontando para cortes significativos na habitação, atrasos na escola pública, na saúde e nos equipamentos sociais, além da falta de visão estratégica para uma capital europeia.
Já o Chega mantém o sentido de voto em aberto, admitindo aspetos positivos no orçamento, como a aposta em creches, escolas e na melhoria dos processos urbanísticos, mas criticando opções como a estratégia ambiental, nomeadamente a meta de tornar a frota da Carris totalmente verde até 2030. O partido afirma que a decisão final dependerá da inclusão das suas propostas.
O orçamento agora em votação é o primeiro do atual mandato autárquico, iniciado em 2025, com Carlos Moedas reeleito e a coligação PSD/CDS-PP/IL a governar Lisboa sem maioria absoluta. A aprovação em Assembleia Municipal permitirá a entrada em vigor do documento ainda em janeiro de 2026.














