As perspectivas dos líderes para 2026: Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group

A visão de Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group.

Executive Digest
Março 2, 2026
11:36

2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, mar­cado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.

Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Rui Lopes Ferreira, CEO do Super Bock Group, antecipa para um ano que exige, com responsabilidadedecisãoexecuçãoequilíbrios delicados, optimismo esperança (com cheiro a pólvora) ambição colectiva.



  1. Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
  2. Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
  3. Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
  4. Uma palavra que possa definir 2026.

 

Creio que 2026 será de continuidade, embora bastante DESAFIANTE – a palavra que, na minha perspetiva, melhor definirá este ano! –, atendendo a que existem vários temas nacionais e internacionais que são centrais e condicionam não apenas o comportamento do País como a atividade das empresas.
Não obstante, as estimativas que estão traçadas para Portugal, nomeadamente um crescimento económico na ordem dos 2,2%, acima da média da Zona Euro, trazem algum otimismo, ainda que considere que o País pudesse dispor de uma situação mais favorável existindo um quadro fiscal, incluindo o ambiental, que fosse menos penalizador para as empresas. Continuo a defender que isso passa por políticas públicas concretas que assegurem mais previsibilidade e agilidade, desbloqueiem os entraves existentes, nomeadamente os burocráticos, e sirvam para impulsionar o crescimento do País de uma forma mais robusta e sustentada. Estes são temas de grande relevância, pois permitem trabalhar a economia, que se quer mais produtiva, a competitividade, a atratividade e o investimento estrangeiro. Portanto, é com expectativa que vou acompanhar os próximos meses, com o ano de 2026 a poder ser determinante para Portugal consolidar a sua posição face a outros países.
Globalmente, o ambiente interno apresenta condições para garantir estabilidade em 2026, o que pode trazer também ganhos ao nível da reputação da marca Portugal e da sua credibilidade externa, ajudando a reforçar a presença internacional das empresas portuguesas, nomeadamente no que nos diz respeito, enquanto Grupo cervejeiro com uma ambição que transcende o mercado doméstico.
Contudo, o nosso desempenho e equilíbrio, como País, estão fortemente dependentes do que acontece no mundo e é do exterior que acredito que poderão surgir os maiores riscos.
Os acontecimentos, desde os mais recentes aos que se iniciaram há mais tempo, e que infelizmente ainda se prolongam, geram um clima de incerteza nunca visto e que tem vindo a acentuar-se. Significa isto que temos de estar permanentemente atentos, a acompanhar de perto o desenrolar da geopolítica, com as tensões internacionais a trazerem diferentes níveis de instabilidade, e os conflitos comerciais, que geram mudanças do ponto de vista logístico, da disponibilidade de matérias-primas e de pressão sobre os custos, que deverá manter-se elevada.
Face a toda a esta dinâmica, às empresas vai continuar a exigir-se resiliência e capacidade de inovação para enfrentarem os desafios com os quais se vão deparando ao longo de 2026.
No que diz respeito à nossa atividade, no Super Bock Group, embora não antecipando impactos significativos, será inevitável continuarmos a adaptarmo-nos às circunstâncias e a agir com celeridade, sem, contudo, nos desviarmos do rumo que temos definido: consolidar a presença do Grupo em Portugal e crescer além-fronteiras. Ganhar escala, reforçar o valor das nossas marcas, acelerar processos de internacionalização, responder a consumidores cada vez mais informados e exigentes, e reforçar a sustentabilidade no nosso modelo de negócio e transversalmente na nossa cultura organizacional fazem parte do nosso caminho bem definido e assim vamos prosseguir em 2026.

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