As perspectivas dos líderes para 2026: Nelson Pires, Manager Partner da Jaba Recordati

A visão para 2026 de Nelson Pires, Manager Partner da Jaba Recordati.

Executive Digest

2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, mar­cado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.

Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Nelson Pires, Manager Partner da Jaba Recordati, antecipa para um ano que exige, com responsabilidadedecisãoexecuçãoequilíbrios delicados, optimismo esperança (com cheiro a pólvora) ambição colectiva.



 

  1. Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
  2. Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
  3. Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
  4. Uma palavra que possa definir 2026.

1. Em 2026, o principal desafio do setor farmacêutico será garantir sustentabilidade económica e operacional num contexto de elevada pressão regulatória, preços muito baixos e crescente complexidade dos processos.

Para empresas como a Jaba Recordati, os desafios mais relevantes incluem:

  • Manter a viabilidade de medicamentos maduros e essenciais, cujos preços já não acompanham os custos reais de produção, energia, logística e requisitos regulatórios.
  • Continuar a enfrentar tempos excessivos de acesso ao mercado, frequentemente superiores a 600 dias, atrasando a disponibilidade de inovação para os doentes portugueses.
  • Gerir prazos de pagamento hospitalares superiores a 400 dias, com impacto direto na tesouraria e na capacidade de investimento.
  • Assegurar a continuidade da supply chain, especialmente em medicamentos de preço muito baixo, cada vez mais difíceis de manter economicamente.
  • Adaptar-se à nova legislação da EMA sobre aprovação de medicamentos, que estabelece maior proteção de dados, processos digitais padronizados, autorizações de mercado de validade automática e ambientes regulatórios controlados para terapias inovadoras. Essa legislação aumenta oportunidades de inovação, mas exige investimento em compliance, monitoriza­ção de cadeia de abastecimento e evidência científica robusta.
  • Integrar Inteligência Artificial em todos os processos, desde a cadeia de abastecimento à análise de dados clínicos, tornando a operação mais ágil e eficiente.

A ênfase em Portugal não se limita aos desafios internos. Em 2025, verificou-se uma forte dinâmica exportadora de medicamentos, destacando o país como um ator relevante na produção farmacêutica europeia. Esta posição cria oportuni­dades estratégicas, mas também aumenta a exposição a riscos internacionais e à necessidade de competitividade global.

Outro ponto crítico será garantir estabilidade legislativa e regulatória, concretizada no acordo entre APIFARMA e Governo, fundamental para previsibilidade de investimento e planeamento a médio e longo prazo.

Além disso, aumentar o investimento público em saúde para os níveis médios da OCDE é essencial para assegurar sustentabilidade do setor, permitir acesso rápido a inovação e reforçar a capacidade de resposta do SNS.

2. O enquadramento geopolítico continuará a afetar profundamente o setor farmacêutico. Tensões internacionais, conflitos armados, políticas protecionistas e fragmentação das cadeias globais de valor aumentam o risco e a volatilidade.

Os principais impactos incluem:

  • Maior vulnerabilidade da supply chain, devido à depen­dência de matérias-primas e princípios ativos produzidos fora da Europa.
  • Aumento estrutural de custos, nomeadamente energia, transporte e seguros.
  • Efeito indireto de políticas internacionais de preços, como o modelo Most Favoured Nation nos Estados Unidos, que in­fluencia referenciações e negociações em mercados europeus, incluindo Portugal.
  • Riscos para as exportações Portuguesas.

O setor passa a operar num ambiente onde o risco geopo­lítico já não é exceção, mas parte integrante do planeamento estratégico.

3. A maior oportunidade é redefinir o modelo de acesso ao medicamento em Portugal com base na sustentabilidade e previsibilidade, e não exclusivamente no preço mais baixo.

Isso passa por:

  • Processos de avaliação e decisão mais rápidos e transpa­rentes. Envolvendo todos os stakeholders (nomeadamente os doentes),
  • Modelos de preço que reconheçam o valor terapêutico e a fiabilidade do fornecimento,
  • Aproveitar a força exportadora do país como alavanca para competitividade e inovação,
  • Garantir estabilidade legislativa e regulatória através do acordo APIFARMA-Governo.

Perder esta oportunidade significaria aceitar como normal a escassez de medicamentos, o atraso no acesso à inovação e a perda de atratividade do mercado português.

4. DECISÃO.

Decisão sobre integrar tecnologia de forma estratégica. Decisão sobre equilibrar acesso, sustentabilidade e inovação. Decisão sobre aproveitar a posição exportadora de Portugal, garantir estabilidade legislativa e aumentar investimento público em saúde.

Em 2026, adiar não é opção.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.